quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Capitulo XI – A Casa de Nocturne.

Estávamos numa pista de pouso privada, era uma noite extremamente escura, mas as luzes da pista tornavam o ambiente super claro. Um jato particular aguardava Érika.

- Venha comigo – ela estende a mão para mim – essa luta já não é mais nossa.

De certa forma eu queria ir embora também. Ou talvez até quisesse virar as costas, para Érika, para Luc, e toda essa porcaria de vampiros e lobisomens; ir pra casa, dizer aos pais que larguei a faculdade e voltar a morar com eles... claro que isso era impossível.

Logo eu lembrava de todas as complicações que tenho agora, e de tudo em que Bruno, Julia, Fernandes e Lincoln me ajudaram a passar; então me lembrava que eu devo isso a eles. Tinha que acertar as contas com Velkan, por eles, por Robinson e por tanto mais.

- Não posso Érika. – recusei a ultima oferta. – Nunca vou poder descansar, sabendo que Velkan está impune.

Ela olhou nos meus olhos, como que a procurar alguma coisa. Mas não parecia encontrar. Me abraçou

- Não se deixe consumir.....

Ela me soltou e se virou, eu percebi que uma lagrima escorreu pelo seu rosto. Ela caminhou em direção ao avião sem olhar para trás.

Luc se aproximou de mim.

- Você se decidiu mesmo....

- É.

- Entre no carro garoto, vou te levar até “a Casa”. – Luc enfatiza o final da frase.

- Você devia me levar até Velkan. – respondi grossamente.

- Corte a pose garoto, você pretende fazer o que com ele.

- Eu vou matá-lo!

- Vai mesmo? – ele agarrou meu pulso, torceu meu braço, chutou meu joelho; eu estava caído imobilizado, ele puxou meu cabelo, fiquei com o pescoço exposto, como se eu fosse uma simples presa pra ele – E como pretende fazer isso? Essa cede de vingança só vai te tornar mais um a ser vingado.

Eu queria reclamar, xingar, gritar alguma coisa.... mas ele estava certo.

- Para fazer o que vamos fazer, você vai precisar de muito treino garoto...

Estava no carro já a sete horas. A sede da Casa de Nocturne aqui no Brasil fica bem longe da cidade onde estava vivendo. O Sol já começava a aparecer, mas os vidros filmados do carro nos protegiam dele. Pela estrada já havíamos cruzamos com várias cidadezinhas de interior quando finalmente nos aproximávamos de uma metrópole a beira mar...

- Não imaginava a elite dos guerreiros vampiros morando numa cidade de praia.....

- Não exatamente moramos lá.... – Luc me responde num tom meio sem graça

Seguimos por mais quase uma hora de viagem, atravessamos a cidade chegando a uma parte mais vazia, seguíamos por estradas pequenas completamente desertas. Enfim nos deparamos com um portão ao final da estradinha desolada. Luc apertou um botão no alarme do carro, as enormes grades de aço começaram a se abrir.

- Você está agora em propriedade particular garoto....

Ao fim da curta estrada estava uma enorme mansão do século XVI... Na minha opinião parecia mais a casa de um vilão do Zorro rico... porém tem um certo ar vampiresco nela realmente.... Era grande, não conseguia contar quantos andares tinha, nem ver até onde ela se estendida, colunas quadradas de pedra seguravam arcos a mais de 5 metros de altura os quais sustentavam uma enorme sacada, as janelas eram de madeira com os vidros escurecidos para proteger os moradores da luz solar, em volta da janela ornamentos de pedra embelezavam a parede, as portas eram altas e tinham o mesmo estilo das janelas, madeira, com pequenas janelas de vidro cheias de adornos na própria porta e em volta dela.

Não fiquei a contemplar muito a mansão, Luc passou pela fachada rapidamente e virou, na lateral havia uma secção elevada também feita em arcos que eram fechados por vidros obviamente colocados recentemente. Ao nos aproximarmos de um vidro em especial ele se abriu como uma porta, entramos com o carro numa pequena câmara onde só cabia o próprio veiculo, ao outro lado da câmara também havia um vidro escuro. Eu olhava perplexo... Luc se virou pra mim e disse com seu tom irônico:

-Segurança em primeiro lugar garoto...

Quando o primeiro vidro se fechou o segundo abriu revelando uma garagem repleta de veículos luxuosos como o que eu estava... havia carros e motos ali de tudo quanto é tempo. Luc estacionou e saiu, eu o segui olhando em volta admirado.

- Que cara é essa garoto, espere até ver o resto da casa.

Saímos da garagem enorme, para um corredor igualmente grande, de um lado haviam as janelas escuras, por onde podia ver o Sol sem ter medo, do outro havia várias portas para outros cômodos. O piso tinha um padrão parecido com o de um tabuleiro de xadrez, com adornos diferentes próximo ao roda pé.

De uma das portas saia uma mulher de vestido preto. Cabelos ruivos, não tão vermelhos quanto os da Érika, na altura do ombro, tinha aparência de uns “30 e muitos” anos, porém ainda era bem sensual, principalmente com o vestido acentuando-lhe as formas.

- Sophia! – Luc chamou pela mulher.

Ela olhou para nós. – Voltou em fim Armand! – ela veio até nós, mas precisamente até mim. Ela agarrou meu rosto com as duas mãos e ficava a me observar, virou minha cabeça para um lado e para o outro. – Então esse é o menino prodígio dos Censores? Aquele que você acha que é o bastardo de um original? – ela pergunta olhando para Luc, ainda sem me soltar... – Tenho minhas duvidas.... – ela me olha de cima a baixo - ... mas até que é bonito. – ela termina num tom sensual e vai embora.

- Cuidado com essa ai garoto, é uma loba... – Luc me advertiu rindo, e continuou a me guiar pelos corredores da mansão.

- Original você me chamou assim antes não...? O que quer dizer com isso.

- Eu lhe explico em breve...

Chegamos um hall, o cômodo central da casa. Lá haviam três homens vampiros a nos esperar, logo voltaram sua atenção para mim.

- Esses ai são alguns dos figurões da casa... – Luc cochichou pra mim – Deixe-me lhe apresentar.... – ele levou o tom para que os homens o ouvissem – Colegas este é o falado Denis, dos Censores.

Logo vi que minha reputação me precede. Um dos homens logo se aproximou, era japonês, se curvou com uma típica saudação oriental.

- Keiji Kamiya, uma honra conhecer a cria de um original..

Eu me curvi retribuindo o cumprimento

- Por favor, me chame de D.

O segundo estava encostado na parede com braços cruzados, usava um chapéu de caubói, ao contrário do que se espera desse chapéu hoje em dia, ficava muito bom nele.

- Burt Colbert... – o “caubói” se apresentou levantando a aba do chapéu com um dos dedos para me olhar.

O terceiro era um homem alto, extremamente forte, tinha cabelos de comprimento médio e uma barba. Ele me olhou nos olhos com sua expressão de poucos amigos...

- Original... que patético... – o homem se virou e foi embora sem se apresentar.

- Não ligue pra ele... – Keiji se envergonha pelo comportamento do colega – é o típico jeito cabeça dura espartano....

- Espartano? – indaguei.

- Venha garoto ainda tenho mais o que lhe explicar... – Luc já me puxava

Distante do hall Luc me contava:

- Cada um daqueles três é uma lenda de seu tempo... Keiji era um samurai, lutou na Restauração Meiji e em centenas de outras batalhas, um dos melhores da época dele, o melhor de hoje.... Burt era um fora da lei no oeste americano, lutou ao lado de Jesse James na guerra civil, rompeu relações quando Jesse virou um fora de lei e Burt um vampiro....

- E o tal espartano? Tipo... isso é sério?

- Seriíssimo! Dieneces, é dele a famosa frase “Ótimo, então lutaremos na sombra!”

- Sobre as flechas?!?

- Você assistiu aquela baboseira hollywoodana não é? – Dieneces virava no corredor – Nem uma piada! – ele me encarava com um olhar ameaçador.

- Uma piada sobre um espartano, de jeito nenhum.... Isso... “Isso é loucura!” – eu lhe respondi. E ele seguiu em silêncio. Olhei para Luc ele tentava segurava gargalhadas.

- Você não presta garoto.

- Mas e você e a mulher? Quais suas historias?

- Sophia foi uma espiã para os aliados na 2ª guerra.... Eu... eu já sou historia para outro dia.

Luc me guiou até um quarto, e me disse para descansar, queria que eu estivesse pronto para começar o seu treinamento ainda esta noite. Eu mal podia esperar.

O meu quarto estava bem vazio em relação aos outros pelo o que Luc me disse, tinha apenas a mobília básica. Eu me joguei na cama fiquei olhando para o teto, todo ornamentado com todos os cantos da mansão, esse é realmente um lugar incrível, cheio de pessoas ainda mais incríveis. O tipo de coisa que eu jamais teria imaginado. Tem tanta coisa pra ver e conhecer, mas Velkan é a minha prioridade... Fico imaginando como será o treino que Luc prepara pra mim... o que me faz lembrar.....

.... Maldito não me explicou o que é um original!

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