Acordei! Tá tudo escuro, escuro demais. Não lembro de ter voltado pra casa ontem.....
Pô será que eu bebi tanto assim? Não eu nunca bebo tanto assim.... Aliás, ontem eu nem bebi....... Vou me levantar e.....
-Ahh! – Bati a cabeça em algo duro como uma parede. Estou começando a ver nessa escuridão, mas não acho saída nenhuma, eu estou numa caixa de aço! Comecei a me desesperar, me enterraram vivo? Puseram-me em algum tipo de freezer? Ta frio pra cacete aqui, minhas roupas nem... Minhas roupas, cadê? Eu to coberto por um cobertorzinho de papel ou de plástico sei lá e mais nada.......
PORRA!?!?! Eu to numa gaveta de necrotério!?!?
-Aê!!! Alguém ai fora! Socorro! Eu não morri não! Alguém me tira daqui! Pooorrraaa!!! - Gritei a todo pulmão e nada.
Comecei a me desesperar, fiquei me debatendo, amassava as paredes da gaveta, mas isso não me ajudava em nada, dei uma pesada na porta da gaveta e ela voou longe. Foi até que bem fácil, pensei que fosse por causa da adrenalina.
Emperrei o teto e a gaveta deslizou para fora. Tinha um médico com uma puta cara de assustado olhando pra mim, também não era pra menos né? O coração do coitado batia tão forte q eu conseguia ouvir o sangue correndo pelas suas veias. Olhei em volta, vi q ainda não tinham guardado meus pertences sei lá onde os guardariam, corri peguei minhas coisas e pulei pela janela; só depois vi que estava no 5º andar. Mas cai no chão sem me machucar, simplesmente dobrei os joelhos. Estava agora no beco atrás do prédio do IML, creio eu. Vesti-me, coloquei o meu inseparável crucifixo de prata, eu não era religioso, mas achava aquele colar muito foda, a cruz larga de prata com uma pedra vermelha que nunca descobri qual é no meio. Chequei meus bolsos, minha carteira ainda estava lá, como de costume sem dinheiro, só com meus documentos. Ahh meu RG, Denis dos Santos; nunca achei meu nome bonito... mas até que gosto afinal foi o que minha mãe e meu pai me deram... a minha foto com cara de bobo, será q alguém saio bem nessas fotos de RG??? Um sorriso idiota no rosto, o cabelão preto jogado pra trás, nessa foto não dá pra notar q meu cabelo é mais comprido do que o da maioria das meninas que conheço. Levantei os olhos, vi meu reflexo numa janela, minha cara continua a mesma, ufa! Não que eu seja lindo, mas ia ser complicado se acostumar com outra cara depois de 20 anos usando essa aqui.... Embora q eu estava muito, muito pálido mesmo, e minha pupilas extremamente dilatadas. Será que tinham me drogado??? Não nenhuma droga iria me fazer passar por morto.. Só talvez se tivessem me dado veneno de baiacu, Por que alguém me daria veneno de baiacu? Ficava pensando tentando descobrir o que aconteceu, mas logo parei de raciocinar, estava com muita fome, ou seria mais tipo uma sede... A quanto tempo eu não comia..... ou.... bebia....? Sai andando cambaleando, sentia-me fraco ia em direção a rua; mas a luz dos postes estava tão forte que meus olhos ardiam, voltei e fui andando por dentro do beco.
Não estava tão escuro; aliás estava sim, mas dava pra ver perfeitamente. Escutei uma bicicleta se aproximando de vagar, bem como alguns passos. Meu estomago dói, dói muito. Olho pra trás e uma bicicleta com 2 caras quase me atropela, um terceiro fica parado atrás de mim segurando algo por de baixo da camisa, todos mal encarados e com a típica vestimenta de malandro. A bicicleta fica andando em círculos em volta de mim, um dos caras da bike salta ele vem se aproximando.
- E ai playboy, que que tu tem ai pra nóis? – Ele “latiu”.
Não respondi nada, meu estomago ardia.
- O filho da puta eu to falando contigo o caralho...- ele continuou gritando, enquanto sacava uma faca – Tu ta achando que tu pode... – não ouvia mais ele falar, meu estomago queimava, via a boca dele mexer mas não ouvia palavras, só escutava um barulho de líquido correndo muito rápido, como um rio ou sei lá, só sei q esse barulho em dava água na boca.
Ele me atacou com a faca, tentou enfia-lá no meu rosto, por puro reflexo eu desviei bem rápido, ele puxou a faca pro lado tentando cortar minha cara, eu simplesmente abaixei, nem pensava só agia. Quando me dei por mim estava a uns
- Olha só, ele dá uma festa e não chama mais ninguém.... – disse o cara de cabelos arrepiados, num tom irônico.
- Acho que ele não tem nenhum amigo Ray, coitadinho – disse, num tom sarcástico, uma garota loira de cabelos repicados, também toda de preto que estava logo surgira ao lado dele.
Olho pra trás e devia haver já umas 4 “pessoas” devorando o cara que tinha tentado me dar tiro, foi só ai que caiu minha ficha. Eu virei um vampiro, ou alguma porra louca desse tipo? Será que foi esse povo que me transformou? Será que transformam você nisso que nem nos filmes? Olhei pro tal de Ray de novo, ele tava sugando o cara da bike, ele olhou pra mim e jogou o moribundo pra loira.
- Divirta-se Bella. – ele disse sorrindo pra ela, voltou os olhos de volta para mim – Então tem andado por ai sozinho moleque?
- Acho que ele podia usar de uma boa companhia não Ray? - disse um homem que aparentava uns 45 anos, aparecendo atrás do Ray, achei que era o líder do bando, já que todo mundo mais parecia ter a minha idade.
- Se precisasse de sua opinião pedia Tiozão – Ray arrebatou, “ok ele não é o líder” logo veio a minha cabeça. – Acha que eu não sei o que to fazendo?
- O que que ta acontecendo? Que porra toda é essa?
- Calma moleque, você é um de nós agora. –Ray me respondeu - Bem vindo as trevas.

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