Aquele povo me acolheu, me deixaram fazer parte do grupo.
- Então moleque, tu deve ta cheio de duvidas, mas é simples, é que nem nos filmes – Ray me explicava – Tu não pode tomar sol e tem que beber sangue.
- Mas e aquelas viajadas tipo, estacas de madeira, prata, crucifixos - eu perguntava mexendo no meu crucifixo que ainda por cima era de prata também.
- Tudo besteira, só não sair de dia que você vai viver pra sempre. Eu to nesse jogo a 70 anos. Rodei por todo esse país. Fiz a maior carnificina em tudo quanto é cidadezinha do interior e dei o fora, o povão tenta dar tiro, facada, até pedra em mim já jogaram, nunca aconteceu nada.
- Mas então vocês nunca estiveram em uma cidade grande? Nem por muito tempo?
- Não desde 1952. Quando eu encontrei a Bella – ele disse meio que acenando pra ela. – O lá, te apresenta pro pessoal. O branquelo com tribais no cabelo é Nóia, o negão ai é o Café; a morena é a Eve e a ruiva é Maggie. E o tiozão ali é o Tiozão. Tu vai ser...
- O meu nome é Denis, mas eu não acho muito legal, as pessoas me chamavam de D...
- D é o caralho! Teu nome vai ser C – o tal de Nóia interrompeu, começo a descobrir porque o chamam assim.
- Vai te fuder Nóia tu só fala merda! – disse a Maggie dando um “pedala” nele.
- Péra ai ele ta meio que certo – o Ray corrigiu. – ninguém aqui tem o nome de quando era humano, isso já era, se te chamavam de D vai ser bom pra você ser o C agora.
Entendi o pensamento, afinal o D morreu né? Ele tava no necrotério já....
Apesar de não ter ido muito com o jeito desse pessoal, acho que é com eles que vou ter que ficar.
- Tá, C é bom – não, não é na verdade, mas ok....
- Então vamo fazer uma festa de boas vindas pro novato!!! – Ray gritou, e o pessoal se animou de uma forma um tanto quanto perturbadora.
Acho vem merda por ai, o sorriso sádico na cara deles não me agradava muito. Será que íamos pra uma daquelas festas tipo aquelas de filmes como Blade,em que é como uma balada, ai eles jogam sangue na gente, e tem uns humanos desavisados que vão lá pra nós petiscarmos? Nahh.. que viagem isso não existe, não tem como existir.... Algo assim não passaria despercebido pela policia nem pela mídia, ou ia??? Seria legal... Não não seria monstruoso! Porra, o que acontece comigo? Tenho uns pensamentos estranhos... Será que com o tempo toda a humanidade em mim vai desaparecer? E eu vou me tornar um matador sem a menos noção de certo e errado?
O Tiozão se aproximava de mim, ele parecia ser o único, além de mim, que não partilhava daquela euforia.
- Pra onde a gente vai?
- Pra uma festa oras, eles já disseram – ele me respondeu num tom... “normal”
- É, mas o que será essa tal festa?
- Parece um tipo de balada particular, organizada por uns tais de Cães da Noite; uma festa fechada só com gente da pior espécie; ninguém de quem a sociedade sentira falta. Você ainda tem ressentimentos quanto a caçar gente, não é?
- É um lugar cheio de gente e bem isolado. – interrompeu Maggie, a vampira ruiva – E é isso que importa. – ela me agarrou pelo pescoço e me puxava para junto do resto do bando – Eu te prometo que essa vai ser noite muito louca!

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