quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Capitulo X – Réquiem vermelho.

Estávamos na estrada de volta para casa;

- Então... – chamei a atenção de Luc – onde afinal Velkan conseguiu todo aquele trem de brinquedinhos?

- Começava a achar que não ia perguntar.... É uma longa historia. Aposto que você nunca ouviu falar em Lótus vermelho... certo?

- O que é isso? Uma flor? – não entendia onde ele queria chegar

Luc riu – ...Lótus Branco talvez?

- Ok, então devem ser restaurantes chineses.... – eu esculachei.

- Que tal Tríade? – Luc jogou um olhar desconfiado...

- Máfia japonesa?

- Chinesa na verdade... Você não assiste filmes, não garoto?

- Tenho coisa mais importante pra decorar.... – pensei uns instantes.. – Bom antigamente eu tinha....

- As Tríades começaram na China como resistência ao Imperador Manchu na dinastia Qing; por volta de 1760 uma sociedade intitulada de Tian Di Hui, a Sociedade do Céu e da Terra.... Foi o início das Tirades..... Eles foram originados de uma sociedade secreta mais antiga ainda, a Lótus Branca que data do final do século XIII, quando os mongóis dominavam a China....

Eu ouvia com atenção, tentando entender onde ele queria chegar....

- Porém, a Lótus Branca também nasceu de uma sociedade secreta ainda mais antiga, a qual nem se quer existem registros de quando começou.... A Lótus Vermelha.

- E....? – nada daquilo me parecia relevante ainda.

- E se eu te disser que o mesmo homem estava presente quando as três foram fundadas?

- Um vampiro?

- Pouco se sabe sobre ele, dizem que seu nome é Zhi Quan. Nada se sabe sobre como ou quem o transformou, mas fez uso de suas.... habilidades.... para se transformar numa lenda do crime durante séculos. É um vampiro muito mais antigo que nós e é extremamente perigoso... Alguns acreditam que ele tenha sido transformado por um original.

- Original?

- Isso é conversa pra outro dia... – ele encerra a conversa, pois havíamos chegado.

Ele estacionou o carro, descemos e começamos a andar pelos corredores. O prédio é muito grande para a quantidade de pessoas que vivem nele, mas ainda assim, está parecendo mais vazio que o habitual.

Encontramos Érika perto da região dos quartos, estava com os cabelos humiods, havia acabado de sair do banho.

- E ai, como foi? Acabaram com eles?

- Acabamos sim senhorita. – Luc responde pomposo.

- Você realmente acabou com muita gente não é vampiro velho? – tirei sarro de Luc.

- Não é falta de educação tirar os méritos de outro homem meu jovem?

- Você que me diga....

Érika ria da nossa discussão.

Passamos um bom tempo os três, rindo um dos outros. Por um segundo, éramos como um bando de amigos rindo das velhas piadas;

- E meu pai foi para onde? – Érika perguntou ainda risonha.

- Seu pai? – Luc cortou o tom alegre da sua voz. – Ele não veio junto com você?

Sua expressão estava séria, e a minha também.

- Não! – Érika retrucou com preocupação na voz. – Logo que vocês chegaram eu fiquei sem munição, meu pai me mandou voltar pra casa, pois vocês e ele cuidariam de tudo.

Eu me virei correndo para o estacionamento, eles me seguiram.

- Garoto se acalme! – Luc gritava me seguindo pelo corredor.

- Foi fácil de mais... foi tudo fácil de mais!!!!!

- D, do que você está falando? – Érika me segura pelo pulso.

- Por que um trem com tanto armamento seria tão mal guardado?

Ela me olhava perplexa.

- Era uma armadilha, Velkan nos jogou uma isca e caímos.

- Calma D, eles devem estar bem, eu vou ligar... – Érika pegava o celular.

Eu não esperei continuei em direção ao carro, Luc olhava para Érika que não obtém resposta no telefone.

Ele tomou a minha frente já destravando as portas pelo alarme do Peugeot.

- Vamos procurá-los. – ele ligava o motor – tenho certeza de que está tudo bem garoto, você está se adiantando.

Mas eu sabia que ele também estava preocupado, não estaríamos saindo se não estivesse.

Entrei no carro e ele correu o caminho de volta para a estrada velha.

Chegamos nas proximidades de onde houvera a batalha, Luc começou a dirigir de vagar, procurávamos por vestígios...

Mas o que encontramos não era um vestígio....

O guard rail da pista havia sido arrebentado, árvores partidas com as raízes arrancadas do solo. Uma SUV estava tombada no meio de um descampado atrás das árvores caídas. Pelo amassado na lateral parecia que tinha sido atingida por um caminhão, mas isso era impossível, não havia com um caminhão acertá-los naquela estrada...

Olhando mais de perto percebi detalhes nas arvores e no carro, arranhões enormes e profundos.... Marcas de unhas.

Já havia se tornado claro pra mim o que ocorrerá aqui. Saltei para fora do carro. Eu gritava:

-Bruno!!!!! Julia!!!!! Fernandes!!!!! – mas somente o vento me respondia, soltei um grito longo – Alguém!!!!!!

Logo senti o cheiro de sangue. Contornei o SUV todo cortado por garras, comecei a identificar pedaços humanos em poças de sangue.... Lá eu vi, apenas o torso de Julia, ela dava seus últimos suspiros, seu corpo havia sido partido em dois, mesmo para um vampiro não havia regeneração daquele estado...

Ela abraçava o cadáver destroçado de seu marido, suas lagrimas se misturavam com o sangue em seu rosto...

- Nós.. não tivemos chance... Era tão... – ela engasgava em sangue, tentando dizer-me suas ultimas palavras, me abaixei ao seu lado, apoiava sua cabeça com as mãos – Cuide da Érika, D...

Ela tombou, estava morta também...

Eu levantei, pus-me a procurar por Fernandes.... Luc estava parado de frente para uma clareira...

- Não Denis... – ele sinalizava para eu me afastar, mas ignorei.

O que eu vi naquela clareira era tamanha brutalidade que nem ao menos fazia sentido.

As árvores partidas, formando estacas pontiagudas. Fernandes estava empalado nelas, como que crucificado de ponta cabeça, tinha vários cortes profundos de unhas pelo corpo, seu sangue escorria para seu rosto, ele se afogou no próprio sangue enquanto morria. Eu estava lá, congelado diante daquela imagem. Que os lycans tivessem os matado eu entenderia.... mas isto!?

O motor de uma moto quebra o silêncio.... Érika havia saído depois de nós e chegava agora, eu me virei para vê-la. Ela estava sem reação olhando para os corpos dos pais.

Caiu de joelhos, queria chorar, mas seus olhos não soltavam nenhuma lágrima, eu me aproximei e me agachei ao seu lado, ela queria perguntar sobre Fernandes, mas não conseguia dizer nada, eu percebia isso; e eu não sabia como responde-la também.

Eu abracei, ela pôs o rosto contra meu peito, senti minha camisa ficando molhada, os olhos de Érika deixaram as lagrimas escorrerem enfim. Eu, por outro lado, não tinha lágrima alguma para derramar pelos meus amigos, não sentia mais tristeza. Outra vez minha mente mergulhava num ódio profundo. De novo Velkan tirou de mim as pessoas que me mais importam....

- Vamos embora daqui crianças... – Luc dizia num tom gentil, nos levantando e guiando-nos para o carro – Não há nada mais que possamos fazer.

Sentados no banco de trás, eu e Érika fazíamos silêncio, Luc procurava algo para dizer, mas não encontrava.

- Nunca foi assim... – Érika começou - ...a minha vida inteira... eles sempre trabalharam com isso. Lobisomens, vampiros, humanos, e as coisas nunca foram assim.... –ela se desesperava no seu sofrimento - Por que tudo isso teve que acontecer agora? O que nós vamos fazer agora?

- Vocês devem ir embora... - Luc responde - ...recomecem suas vidas com outra casa; vou mandá-los para alguma das grandes casas da Europa, é o mínimio que posso fazer por ter colocado-os nisso.

Érika ficou em silêncio, ela aceitaria a oferta. Aqui, a cidade onde nasceu e cresceu com seus pais, trazia lembranças demais para ela continuar.

- Eu quero ir com você Luc! – recusei sua proposta. – Eu quero virar uns dos filhos da Casa de Nocturne!

- Não vou conseguir tirar a vingança da sua cabeça não é garoto....? – ele suspirou – Então que seja.

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