Estávamos no enterro de Lincon, enterro digo simbolicamente, era mais um memorial.
Uma urna com suas cinzas estava guardada em uma cripta...
Era noite, a lua cheia iluminava esse cemitério o qual eu nunca tinha visto antes. Havia muitos rostos desconhecidos para mim aqui.
Bruno foi o escolhido para dizer as palavras de adeus ao bom Lincon, eu o conheci por tão pouco tempo, mas sentia com se ele fosse um mentor pra mim. Desde a primeira vez que o vi ele tem tomado conta de mim. Era o principal lutador na casa dos censores, Bruno era um homem forte, mas era apenas um humano; Julia e Érika, apesar dos poderes, não tinham a mesma habilidade em combate que Lincon.... com Velkan ainda a solta, teria de ser eu a preencher o vazio que ele deixou.
Sentia o peso do mundo nas costas, ainda via os fatos da noite anterior quando fechava os olhos. Todo aquele banho de sangue...... de novo; Velkan, o seu sorriso sádico não para de me assombrar; Robinson, em algum lugar das ruas da cidade ele deve estar próximo de se transformar em lobo pela primeira vez, espero que aqueles que estão o procurando encontrem-no logo, antes que ele faça alguma besteira; e Agatha, quando me disse adeus seus olhos estavam tão... traumatizados, será que ela vai superar tudo aquilo? Será que ela viu algo que não devia ter visto? Lycans? Vampiros?
Bruno terminou o discurso, na verdade eu não prestei atenção em nenhuma palavra.
Ele pôs a espada de Lincon em frente de sua lápide. Se afastou, haviam dois homens conversando sobre algo num canto mais afastado do enterro. Bruno juntou-se a eles, eu me aproximei.
- Isso já foi longe de mais, estaremos trabalhando com você. – disse para Bruno um homem alto de cabelos negros penteados para trás, aparentava ser europeu.
- Você sabe que nós também queremos fazer algo a respeito, Velkan suja todo o nome da nossa raça, mas é nossa prioridade lidar com os caçadores que tem atuado nessa região. – lamentava o outro homem mais baixo, porém mais robusto.
- Não se preocupe Ryan. – Bruno respondeu-lhe – Deixe que eu e os vampiros lidemos com Velkan, agora você deve se preocupar com esses caçadores que tem ameaçado lycans inocentes por aqui...... – Bruno deu uma pausa, olhou para mim e me chamou – À propósito, tem alguém aqui que quero que vocês conheçam. – ele disse voltando a olhar para os dois.
Eu me aproximei.
- Esse é... – Bruno começou a me apresentar.
- Denis dos Santos – o homem alto interrompeu-o.
- O garoto prodígio da casa dos censores. – o mais baixo continuou.
- Tua reputação o precede jovem. – o alto terminou.
- Obrigado, eu acho.... Mas só D por favor, Denis não é exatamente um bom nome para um vampiro... não acham?
- Fato. – respondeu-me o homem mais baixo.
- Não diga asneiras, jovem. – me contrariou o mais alto.
- De qualquer forma.. e vocês quem são?
- Luc D’Armand – o homem alto apresentou-se, curvando-se com algum nobre ou cavaleiro da antiguidade. – represento a casa de Nocturne.... – ele observou minha expressão confusa e logo percebeu que não sabia o que seria tal casa, então acrescentou – a elite de guerreiros vampiros.
- Ryan Striker – o homem mais baixo disse estendendo a mão, tal como as pessoas comuns fazem – representando a alcatéia de Fenir; a elite dos guerreiros lycans.
- O primeiro lobisomem que conheço que não tenta arrancar minha cabeça – respondi apertando sua mão.
- Acostume –se, mas não acomode-se..... não até acabar com Velkan.
Luc voltou a falar com Bruno.
- Não queremos desmerecer seu trabalho, mas vamos assumir a situação de agora em diante. Vampiros e lycans estão a um fio de cair nos olhos da mídia. Temos lutado por séculos para nos mantermos no anonimato. Os pequenos grupos de caçadores já matam centenas de nós todos os anos, se houver uma guerra real contra os humanos, coma tecnologia militar e a extensão dos exércitos de hoje, ambas as espécies serão dizimadas. Nós assumiremos a operação agora, vocês censores devem nos dar apenas suporte.
- Por mim está ótimo, a situação fugiu de nosso controle realmente.
- Ryan! – eu me voltei para o lycan – você disse que há caçadores nessa região?
- Sim, eles têm chacinado lycans das cidades daqui como exterminadores matam insetos. As alcatéias locais tentaram lidar com eles, mas não conseguiram. Esses caras não estão de brincadeira. Eles mataram e torturaram dezenas de lycans só no ultimo mês.
Eu me virei e ia deixando a sala, Bruno me segura.
- Aonde você vai?
- Não posso deixar meu amigo perdido por essas ruas com esses animais a atrás dele.
- Nossa prioridade é Velkan....
- Danem-se as prioridades! – gritei e no impulso de raiva mostrei –lhe as presas... – Foi mal, -tentei me acalmar – mas eu já perdi muito nos últimos dias....
- Deixe-o ir – disse Luc.
- Está bem, mas tome cuidado. Érika – ele chamou a filha que ainda chorava por Lincon.
Ela se aproximou, tentando disfarçar as lagrimas.
- Sim pai.
- Não a tempo para luta minha querida – ele disse enxugando uma ultima lagrima que escorria pelo rosto dela - Vá com o D, não deixe ele fazer nenhuma besteira.
- Está bem.
No caminho para a saída vi Fernandes parado em frente a lápide de Lincon, ele olhava para a lápide do amigo com a tristeza e a raiva evidente em seus olhos.
- Fernandes – me aproximei – queria que você me arranjasse uma arma em especial... como a espada do Lincon.
- Só dizer.
Todas as mortes e sofrimento que tenho visto ultimamente me fizeram pensar numa certa arma, talvez incomum, mas se Lincon usava uma espada.... Eu disse os detalhes que imaginei para o Fernades. Ele achou incomum, mas disse que providenciaria, olhou uma ultima vez para o tumulo do amigo e se foi. Érika é que se aproximava agora.
-Você vai atrás do seu amigo, né? – Érika me abordou.
- Seu pai te mandou ir junto, não? – perguntei já sabendo qual seria a resposta.
- .......
- Tudo bem....
Me voltei para o tumulo de Lincon com um ultimo adeus.
- Até mais “Tiozão”.
Deixamos o cemitério. Ainda sentia um pesar por tudo o que aconteceu ao Lincon, mas agora tinha que me concentrar em salvar Robinson. Não podia deixar que Velkan me tirasse dois amigos de uma só vez.
Corríamos de moto pela cidade, passando por todo lugar vazio e desolado, onde um lobisomem confuso poderia estar e todo lugar onde um jovem perdido e machucado poderia ir pedir ajuda. Na garupa Érika ligava para os homens do pai dela na polícia que procuravam pro Robinson par eliminar os lugares por onde eles já procuraram, era pouco mais de meia noite quando conseguimos uma pista boa. O velho distrito industrial, era bem vazio, principalmente a noite. Ainda não haviam procurado por considerar muito longe do lugar de onde ele havia sido mordido. Mas nos estávamos lá perto, e era um dos últimos lugares a procurar na cidade.
Chegamos em alguns minutos, as ruas sem alguma alma viva, os prédios selados das antigas industrias falidas, alguns carros abandonados nas calçadas. Era realmente um lugar extremamente desagradável, tinha um ar amedrontador, como de uma cidade de filme de terror.
- Caramba... nem imaginava que existisse um bairro assim na nossa cidade. – tentei quebrar o silencio perturbador.
- Nem eu, eu vi muita coisa por ai, mas esse lugar me dá um certo medo. Parece que a qualquer momento alguma coisa vai sair de algum lugar e pular em cima da gente...
Andávamos aflitos pelas ruas.... Ouvimos uma porta rangendo.
Eu e Érika nos entreolhamos, sem fazer barulho algum sinalizei para que fossemos checar; posicionamos-nos um de cada lado da porta. Já ia chutar a porta quando ouvimos um barulho de correntes vindo de uma janela no prédio atrás de nós.
Parecia que estávamos ficando cercados, mas não víamos nada, nem ninguém.
Subitamente uma voz cortou o silêncio.
- Calma! Esses dois não são ameaça! – dizia um homem alto de cabelos castanho e barba mal feita, já nos seus 40 anos, porém ainda aparentando ter um bom preparo físico. – Vocês sabem que não são os vampiros nossa preocupação agora. E eu reconheço hematófagos quando os cheiro.... um puro e uma mestiça.
- Lycans! – Érika sussurrou, meio assustada sem saber quais seriam as intenções deles.
- O que os trazem aqui? – varias pessoas, lycans óbvio, começaram a aparecer timidamente nas janelas e portas - Nessas ruínas que a cidade esqueceu?
- Estamos procurando por um amigo meu. Não queremos problemas. – respondi.
- Eles não são dos nossos! Não devemos confiar neles! – gritava um homem mais jovem, de aparência perturbada, que já avançava ameaçadoramente na nossa direção.
O primeiro segurou-o – Às vezes pode até se parecer com um, mas você não é um cachorro Jens, controle sua raiva.
O rapaz abaixou a cabeça e parou. O mais velho voltou-se para nós:
- E quem seria o amigo, vampiro?
- Um antigo amigo meu que foi mordido por um lycan criminoso a pouco tempo.
- O bastardo de Velkan, nós o encontramos. Seu amigo está bem.... na medida do possível.
- Robinson?! Sério? Posso vê-lo?
- Seu amigo está passando por um momento difícil, alguma vez já viu um Lycan em sua primeira transformação?
- Não....
- Prepare-se.... não será nada agradável.... à propósito, eu sou Timo, você é D?
- Como você....
- Era um dos nomes balbuciados pelo seu amigo...
- Como assim?
Timo abriu uma porta, ouvia grunhidos de agonia vindo de dentro da sala. Havia uma coisa acorrentada no chão, não era mais um homem mas ainda não era um lobisomem, como se sua transformação tivesse sido interrompida no meio. Era Robinson... era ele que grunhia.
- Robs! – me ajoelhei ao seu lado.
- D! – ele me agarrou pela camisa com sua voz já distorcida devido ao principio da transformação – Arrggh, me ajuda... a dor.
De repente ele tentou me morder. Timo segurou seu pescoço.
- Calma garoto... força. - ele tentava acalmar Robinson.
- A primeira transformação de um lycan é lenta. Eu li sobre isso. – Érika, me explicava com a mão em meu ombro, tentado me consolar talvez....
- Lenta...? – Timo olhou para ela – O tempo não é o problema, garota... imagine... a dor dos seus ossos crescendo dentro do seu corpo descontroladamente, amassando seus músculos, seus órgãos, esticando sua pele como se fosse rasga-lá. – um grunhido de Robison interrompeu seu discurso – os pelos crescendo a princípio coçam muito.... mas após algumas horas, fazem parecer que todo seu corpo está em chamas. – outro grunhido, Robinson tentava agarrar e morder qualquer coisa a seu alcance. – Sorte dos que nascem lycans, pois ser transformado em um é a experiência mais dolorosa que se pode ter. Acredite, eu sei.....
Olhava para meu amigo agonizando, sem poder fazer nada por ele.
- Quanto tempo até a transformação dele estar completa? – perguntei
- Deve levar mais umas 6 horas.... – Timo respondeu com desgosto. – Vocês podem esperar conosco se quiserem, mas não devem dizer a ninguém de onde estamos.
- Estão se escondendo dos caçadores né? Não sei se você sabe, mas um tal de Ryan....
- Então a alcatéia de Fenir finalmente mostrou as caras! – ele me interrompeu – Quantos jovens tiveram que perder a vida para eles voltarem os olhos para cá.....
- Então você já ouviu falar deles?
- Todo lycan já ouviu, eles são os Marines da nação lycan...
- Foi o que ele me disse.
- Eu costumava ser um, quando ainda morava na Finlândia, parei quando meu filho Jens nasceu.
- Então vocês são pai e filho? Ele anda meio estressado, não?
- A mãe dele, minha esposa; e mais 37 da nossa alcatéia foram mortos a menos de 2 dias.... Estamos todos estressados.
- Desculpe... – me arrependi de ter aberto a boca. – Mas os tais Fenirs devem dar um jeito neles, certo?
- Se eles não nos acharem primeiro....
Passaram-se cerca de 3 horas, estávamos sentados no chão, os Lycans contavam historias sobre sua alcatéia; como vieram do norte da Europa para cá, missões de timo na época que servia com os Fenir. Eu começava a vê-los mais com humanos, e menos com os animas que vêm me caçando desde que transformei.
A transformação de Robs ainda estava pela metade, eles arranjaram uma enorme viga de metal pare ele morder. Timo disse que a sensação de morder alguma coisa é a única forma de amenizar a dor.
Subitamente um lycan cheira algo no ar. Notei o medo nos seus olhos ele começa um grito:
- Tim... – o som de um rifle silenciou sua voz. Sangue e prata voaram de sua cabeça direto no meu rosto.
- Eles nos acharam! – Timo gritou – escondam-se! Vampiro você vem comigo, são balas de prata não vão lhe fazer mal algum.
Granadas de gás voaram pelas janelas do prédio condenado.
- É aquele gás com prata, não vamos poder transformar! - Jens exclamou.
- Filho leve os outros pra longe daqui – homens começaram a entrar por todos os lados atirando em tudo que se movia – eu vou atrasá-los.
- Mas....
- Sem mas! Vá!
-Érika ajude eles – eu pedi – vou ficar com Timo.
Enquanto Érika, Jens e os sobreviventes da alcatéia fugiam, eu e Timo estávamos matando.
Timo soltou os pinos de várias granadas no colete de um soldado e arremessou o homem sobre seus colegas, eles explodiram espalhando seus pedaços por toda a sala, mas por trás da fumaça um homem apontava já seu rifle para Timmo.
- Você vai pagar por isso cão.
Eu voei no pescoço daquele infeliz antes que pudesse puxar o gatilho, mas seus dois parceiros viraram e dispararam uma rajada no peito. A prata não é letal, mas as balas fazem um estrago ainda assim.
- Um vampiro? – um deles exclamou.
- Vamos dar um bronzeado ao garoto.
Tive tempo apenas de olhar para a arma do soldado. Um rifle com uma lanterna UV abaixo do cano. Ainda não conseguia me por de pé por causa dos ferimentos.
Timo pulou a minha frente, bloqueou a luz quando foi acessa. Ele avançou sobre os caçadores e esmagou a lanterna.
- Não te disseram que essas coisas dão câncer? – ele ironizou na cara do homem.
- Acabem com o lobo!
Os soldados abriram fogo contra Timo ele caiu moribundo ao meu lado.
Os ferimentos das balas já estavam se fechando, conseguia me mover novamente....
Um deles aponta para o facão que seu colega carregava nas costas:
- Corte a cabeça do vampiro antes que ele...
- ... se levante – eu dizia me pondo de pé – e corte a de vocês?
- Merda! - ele gritou erguendo o rifle em minha direção.
Desviei o cano da arma para baixo, empurrei a arma contra o soldado, puxei o facão das suas costas e acertei-o no pescoço. Sua cabeça rolou pelo chão; finquei o facão no peito de outro inimigo, puxei sal faca e a finquei também ao lado da que já estava em seu corpo. Vários caçadores vieram pra cima de mim todos empunhando suas laminas.
Timo usava suas ultimas forçar para se arrastar em direção a Robinson enquanto eu fazia os caçadores provarem do aço de suas próprias facas. Um deles tirou um talho do meu rosto, mas deixou sal jugular desprotegida ao me golpear, finquei meus dentes em seu pescoço; o sangue acelerou a minha regeneração, o corte já estava fechado quando ouvi o barulho de metralhadora e senti varias pontadas nas costas, as balas de prata atravessarão meu peito. Eu cai, de novo, um caçador pisou na minha cabeça, apontou o rifle para o colega que eu havia mordido e o executou. Virou o rifle em minha direção.
- Quero ver o quanto a sua raça nojenta pode se regenar.
Ele começou a descarregar a arma em mim, meu corpo começou a se desfazer sob tantas balas, mais soldados se juntaram ao meu fuzilamento. Estava começando a perder a consciência quando escuto a voz de Timo balbuciar alguma coisa.
- O lobo em mim já está morto, o lobo em você está apenas nascendo.
Ele soltou as correntes que prendiam Robinson.
- Vá salvar seu amigo, lycan.
Robs se levantava do chão, não mais como um humano, mas como um enorme lobo de pelos marrons compridos, garras afiadas e um desejo por carne estampado em seus olhos. Ele soltou um uivo que ecoou por todo o prédio. Os caçadores desviaram sal atenção de mim, mas antes que pudessem se virar o lycan enfurecido voou sobre eles.
Robinson fincava seus dentes na carne e nos ossos dos caçadores por puro instinto, suas garras rasgavam os corpos como papel. Um simples movimento dele para atacar um soldado derrubava os que estavam em volta. Um destes caiu ao meu lado, ele sacou sua pistola para contra atacar, mas antes que seus olhos encontrassem o alvo meus dentes encontraram as veias de seu braço. Me punha de pé ainda me alimentando, tomei arma de sua mão e atirei nele.
Eu estava 100% de novo, me movia em direção a Robs atirando nos caçadores que estavam pelo caminho. Subitamente meu amigo lobo voa num dos caçadores, fincando as unhas em seus ombros e arremessando o corpo do homem contra a parede. Ele inclina a cabeça e morde a cabeça do soldado, sua mandíbula esmaga o crânio da presa, mas eu escuto o som de disparos.
Robinson solta o corpo do homem, eu vejo um revolver com o cano fumegante na sua mão. O lobisomem recuou alguns passou e caiu de joelhos. Eu corri na sua direção. Haviam quatro buracos de bala sangrando em seu torso.
- Robs, não me deixe não mão agora! – eu gritei agarrando antes que ele tombasse no chão.
A prata começava a fazer efeito, ele ia voltando a forma humana. Eu o coloquei no meu ombro e saltei para trás de um coluna. Timo estava morto, não havia mais ninguém além de nós e os caçadores ali agora, e eles continuavam a nos perseguir. Saltei para uma janela e então para fora do prédio, através das ruas escuras e vazias daquele velho bairro industrial eu fiz nossa rota de fuga.
Os caçadores haviam ficado pra trás, estávamos seguros agora.
- D..... cara..... porque..? porque você nunca me disse.. que era um vampiro? –robinson começou a tentar falar – Não... devia.... esconder esse tipo de.... de coisa legal dos amigos.
- É que na verdade as coisas não são assim a tanto tempo.... – eu respondi feliz por ver q ele ainda tinha reação.
- Me.... põe no chão.... cara...
- Eu tenho que encontrar alguém pra te ajudar.
- Você... você é toda a ajuda que eu vou ter velho.... só me deixa... me deixa sentar um pouco.
Eu o pus no chão, com as costas encostadas na parede.
- Isso dói cara.... dói mesmo.
- Agüenta firme Robs, eu vou te tirar dessa.
- Eu sinto todo meu corpo queimando...
Sua pele estava toda vermelha, vasos sanguíneos começavam a estourar, deixando cheio de manchas.
- A gente... ia ser uma dupla.... bem do caralho..... se essa coisa de lobisomem..... tivesse ido pra frente....
- Do que você tá falando, nós vamos ser a dupla mais do caralho cara!
- Dói D!.... dói de mais!... eu só queria.... que isso tudo acabasse.
Ele começou a se engasgar com o próprio sangue..... Eu me sentei ao seu lado.
- A gente... sempre... mandou.... muito bem.... desde que éramos uns pirralhos... – ele engasgou novamente... seu corpo começava a tremer de dor.
Eu olhava pra arma que ainda estava na minha mão.
- Ainda... ainda tem balas... se aparecerem mais... – outro engasgo, Robinson gemeu de dor - daquele caras...?
- Tenho... – puxei o pente para ver a munição – uma.
Robs abriu um certo sorriso.
- Você... lembra... daquele dia...
Apontei a pistola para sua cabeça, fechei os olhos, e puxei o gatilho.
- Lembro sim.... – não pude segurar uma lagrima que escorreu do meu olho – lembro de todos aqueles dias, velho...

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