Era estranho estar acordado de manhã. Já havia me acostumado a viver só de noite. O guarda roupa que eles me deram só tinha roupas pretas e diversos óculos escuros; fazia exatamente o estilo de vampiro clichê dos filmes. Ainda estava com medo de por a cara no Sol, não estava tão confiante com aquela coisa de protetor solar “from hell” que eles me deram.
Desci me juntei aos outros na sala de entrada do lugar, o único lugar com janelas no prédio todo, mas essas eram escuras também.
- Ok garoto, vou simplificar pra você. – Bruno já se adiantou – Você está para desaparecer, essa manhã você vai rever as pessoas da sua antiga vida somente para dar-lhes adeus, e pela noite nós vamos caçar.
- Perfeito. Vocês podem me dar uma carona?
- Podemos te dar coisa melhor que isso. – ele acenou com a mão para que eu o seguisse.
Me trouxe até a garagem.
- É só escolher. – ele exibia as fileiras de carros e motos pretas.
Eu estava babando. Aproximei-me de uma enorme moto de corrida preta, Ducati 1098S.
- Você tá falando sério?
Ele jogou a chave para mim.
- Só não vá levar muitas multas já hoje....
Pulei para cima dele, liguei a chave, girei o acelerador. O ronco do motor ecoou por toda a garagem. Bruno deu uma piscada de “não se preocupe” para mim. Eu parti com a moto empinando. E voei pela rampa para fora da garagem subterrânea.
O elevador chegou aquele andar e Julia caminha para fora dele.
- Você não deixou ele pegar nada muito potente, não é amor? – ela perguntou
- Claro que não meu bem...
Eu corria pelas ruas da cidade, chegaria na faculdade em minutos mesmo sem estar furando sinais vermelhos nem nada assim. Como Fernandes havia prometido, o Sol não me queimava, ainda assim era extremamente quente. Estava já há umas 30 quadras do prédio de onde parti, parei em um sinal vermelho. Sob o toldo de uma loja estava parado um senhor pitoresco. Vestido em roupas pretas compridas com um visual social, cabelos longos brancos e olhos verdes que, mesmo velhos, tinham um brilho bem vivo. Ele olhava fixamente para mim; embora que, naquela moto, todos olhavam. Mas ele não olhava a moto estava olhando para mim, bem no fundo dos meus olhos, como se pudesse vê-los sob o capacete fechado e dos óculos escuros. Um pensamento me gelou a espinha, por um instante achei tê-lo visto num bar logo na esquina do prédio de onde havia saído... Não impossível, mesmo que ele fosse um vampiro também, afinal a aparência não lhe faltava, era impossível que ele tivesse se movido tão rápido. O sinal abriu, eu acelerei e não pensei mais nisso. Deveria ser só coisa da minha cabeça, “talvez uma insolação” pensei ironicamente comigo mesmo.
Cheguei ao campus onde estudava... Parei a moto num lugar adequado.
Andava pelos corredores, a maioria das pessoas não me conhecia, ou mesmo que conhecesse não me via todos os dias, nem haviam dado por minha falta nesses 3 dias... Até encontrar Robinson, meu velho amigo que estuda junto comigo desde os 8 anos.
- Olha só quem é vivo sempre aparece! Por onde é que tu andou?
- Ahh eu tive que...- foi quando me toquei que devia ter preparado uma historia já – voltar lá pra nossa cidade.
- É? Pra que?
- Eu.... fiz uma cirurgia!
- Sério?
- É eu operei... a vista!
- Por isso os óculos escuros dentro da sala?
- Isso! – perfeito, matando 2 coelhos com uma pedra só.
- Cara... Eu acho que vou ser transferido daqui. – como mandou Bruno, comecei a inventar uma historia para desaparecer de vez daqui.
- Para onde?
- Anh, não sei ainda. É que talvez eu... consiga um estágio. – “de matador profissional só se for...” pensei comigo mesmo.
- A que foda vamos comemorar hoje a noite. Vamos pro bar.
- Não, nem dá eu vou... – “caçar um lobisomem criminoso internacional” – vou voltar no médico, tenho que ver se está tudo ok.
- Você pode marcar pra outro dia.
- Não, não posso por que... – então, surgindo lugar nenhum, longos fios dourados e dois brilhos azuis me acertam, me agarrando pelo pescoço.
- D! – ela grita – achei que não fosse mais te encontrar a tempo!
- Oi Agatha – eu respondo quase sem jeito, olhando para os belos olhos azuis dela.
- É então... – o tom dela mudou, ficou mias triste – é que eu vou me mudar, já pedi a transferência e tudo. Esse é meu último dia aqui.... Mas ai vamos fazer uma festa! É hoje a noite no Sacred Stings, conhece?
- Annnhh... não.
- É muito foda, é uma antiga catedral, mas agora é um bar com musica ao vivo, num estilo meio dark e gótico; você sabe, bem como eu gosto.
- É sei bem. – era engraçado esse gosto dela, pois não combinava nada com sua aparência. – Mas é que... talvez... acho que não dá pra mim ir... – Robinson estava atrás dela me olhando com aquela expressão de “ah qual é cara” – Ahh, eu vou ver o que posso fazer ok?
Ainda assim Agatha ficou evidentemente triste...
- Bom... independente do que aconteça... - Ela me abraçou. - ...vou sentir saudades.
Eu abracei-a de volta.
- Eu.... também.
Ela me soltou e caminhou de volta de onde veio.
O resto do dia passou sem mais acontecer.
Quando eram por volta das 8 da noite eu voltei a minha “nova casa”, só agora li a placa do lado de fora: “Censors Labs, analises sanguíneas e laboratório em gral”. Que sutil.
Adentrei o estacionamento, havia uma pequena reunião, o pessoal estava se armando, se preparando para caçar. Ao me ver chegar na moto, Julia cochichou ironicamente no ouvido de Bruno:
- Nada muito potente né?
- Hey D! – ele acenou pra mim se fazendo de desentendido para a esposa – Forre o estomago, pois você não vai conseguir se alimentar desses caras que vamos caçar hoje não....
Ele me jogou um saco de sangue, igual ao dos hospitais. A visão do sangue me deu água na boca, abocanhei o pacote.
- Alimenta mas não tem aquele “Q” da coisa de verdade né? – comentou Julia, era verdade.
- Ai D, vai precisar – Fernandes estica a mão com a pistola quer eu trago comigo desde do meu ultimo encontro com lobisomens. – Balas com nitrato de prata, atire para matar, não de chance pra esses caras não.
Notei que todos se armavam, Bruno escondia um AK embaixo do sobretudo marrom que vestia; Julia usava um 38 bem sutil, Érica empunhava duas 9mm automáticas. Eu sabia que Fernandes não fazia trabalho de campo. Mas uma coisa em intrigava...
- Tioz.... – ele me olhou feio – Lincoln! Você não leva nenhuma arma? – ele só estava sentado esperando os outros.
- Ora garoto, eu sou mais chegado aos clássicos. – ele pega da mesa ao seu lado um sabre numa bainha negra – 100% prata, matando lycans desde 1788.
- Hábitos antigos são duros de matar, né?
- Ok chega de papo, já perdemos muito tempo. - Bruno salientou – Todos pro carro.
- Prestem atenção. – a voz de Julia cortou o silencio no meio da viagem – Estamos numa situação delicada, Velkan está em um lugar publico, cheio, e ainda pior, freqüentado tanto por humanos quanto por vampiros. Então fiquem espertos, mas não comecem um fuzuê sem necessidade. Entendeu Érica? – ela encarou a filha.
- Ta vou manter meus bebês no bolso.
- O que seria esse lugar? – perguntei por curiosidade.
- Uma espécie de boate, Sacred Stings.
Um arrepio desceu minha espinha. Isso é uma sacanagem do destino.
Chegamos ao lugar. Como Agatha havia descrito era uma igreja, um letreiro luminoso em forma de crucifixo indicava o nome. Havia um segurança na porta.
- Têm nome na lista? – ele nos para.
- Temos a chave da cidade amigo – Bruno mostra uma espécie de distintivo.
- Censores? Então temos problemas aqui?
- Lycan procurado internacionalmente.
- Vou mandar evacuarem o lugar.
- Não, Velkan é ardiloso, se perceber algo incomum desaparecerá.
- Vocês podem garantir a segurança das pessoas lá dentro.
- Amigo... – Érica se intrometeu – Não nem sei se garantimos a nossa.
Entramos, os seguranças se espalhavam pelo local. O lugar era escuro para os olhos humanos, nos espalhamos, eu procurava por Velkan. Tínhamos uma foto dele, branco, 1,70m aproximadamente, cabelos castanhos compridos cacheados, olhos também castanhos, forte. Numa multidão normal seria fácil de achá-lo, mas aqui, mal dá pra diferenciar um vampiro de um humano, ou de um lycan. Além do mais ele não era a única pessoa que eu procurava, é claro....
Porém o único que encontrei era alguém que não esperava.
- Pra ir pro bar comigo você tem médico, mas pra vir ver a loira dá né? – dizia Robinson que se aproximava por entre a multidão.
- Ahh não é bem...
- Não, não tem problema. – ele me cortou – Afinal.... – ele aponta para o meio da pista.
Lá estava ela, Agatha estava entra as amigas dançando, vestia um corset e uma calça ambos pretos, de alguma espécie de couro fino; os cabelos loiros e os olhos azuis a destacavam no meio da multidão escura. Estava mais linda que nunca, não conseguia olhar para mais nada além dela, porá alguns segundos esqueci de Velkan e de lycans, vampiros e tudo mais. Caminhava na sua direção, ela ainda não havia me visto; eis que vejo um vulto se movendo pela multidão, congelei. Uma sombra caminhava em sua direção, mas olhava fixamente ara mim; aquele rosto velho, os cabelos brancos e olhos verdes e sombrios. Era aquele mesmo velho que eu vi de manhã, sabia que não podia ser coisa boa.
- Agatha! – eu gritei correndo na sua direção.
Ela sem idéia do que acontecia, olhou para mim e sorriu.
- D! – Ela acenava.
O velho estava a alguns metros dela apenas, ainda olhando para mim. Eu pulei, voei metros até ela e a agarrei. Olhando em volta procurava o velho, mas ele havia sumido! Como pode estava ali exatamente agora?
- Wow, quanto entusiasmo. – ela diz sem perder o sorriso, mas olhando minha expressão preocupada ela muda o tom – ta tudo bem?
- Ta, ta sim, desculpa – eu tento disfarçar.
Ela ri – você ta estilizo nessa roupa ein.
- Você ta ótima também, uau.
- Obrigada, vem vamos se juntar com o pessoal.
- Mas espera, - eu a cortei – vocês não vão ficar muito tempo né?
- Ahh, como assim a noite só está começando.
- É que eu acho.....
Cinco estouros rápidos e uma gritaria me interromperam. Já estava começando a matança.
Olhei na direção dos tiros, era Érika que já estava com dois canos fumegantes nas mãos. Um bando de homens já a circundava, eu sabia que não eram simplesmente “homens” e que a coisa ia ficar feia.
- Acho que é melhor a gente dar o fora daqui. – ela disse.
- Belíssima idéia, corre.
Corremos junto com a multidão, havia um lycan, ainda em forma de gente, que atacava freneticamente as pessoas que corriam com uma faca. Ele passou por perto de nós, eu chutei o seu rosto, ele caiu no chão.
- Agatha, encontre o seus amigos e dêem o fora daqui!
- Mas e você?
- Agora, vai! – eu grito em quanto o lycan se levantava.
Ela descidiu obedecer e saiu correndo em meio a multidão apavorada. O Lycan já posto em pé soltou a faca.
- Então você quer brincar não é garoto? – ele começava a se transformar.
Eu saquei a pistola e disparei no meio dos seus olhos, ele tombou morto.
- Talvez outro dia, hoje eu to meio sem tempo.
O caos era total, além de nós censores, os seguranças do local e mesmo alguns vampiros “civis” estavam envolvidos no conflito, alguns humanos ainda se escondiam em baixo de mesas, ou onde podiam, esperando uma oportunidade para sair. Haviam lycans por toda parte, alguns estavam como humanos, disparando armas carregadas com aquelas balas UV que Fernandes me contou, vi um segurança sendo atingido por diversas delas, ele queimou em cinzas no ato. Mas me preocupavam mais aqueles que estava em forma de lobisomem, corriam pelo lugar trucidando tudo que viam com suas mandíbulas.
Eu passei pelo lugar atirando em quem podia acertar, um lobo pulou do segundo andar na minha direção. Disparei contra ele, a bala entrou em seu pescoço, ele caiu ao meu lado agonizando.
Cheguei ao lado da Érika.
- Alguém já achou Velkan?
- Não, fica atento, minha mãe falou que ele costuma lutar em forma de gente.
Lincon passou do nosso lado empunhando seu sabre, ele decapitou um lycan que estava por perto.
- Venham comigo, temos que cobrir as saídas, não podemos deixar Velkan fugir.
Corremos com ele em direção a saída mais próxima, Lincoln cortava qualquer um que se aproximasse
Eu avistei Velkan que parecia caminhar despreocupado no meio da luta, ele estava indo para uma saída lateral.
- Lincoln, Érika! Ali! – eu disparei contra ele. Mas Velkan simplesmente inclinou o corpo e as balas passaram em seco.
Ele me olhou com um sorriso irônico.
- Vão atrás dele eu cubro vocês. – Érika disse. Recarregando as pistolas.
Ela apertou o botão nas armas, os carregadores vazios caíram no chão. Usava uma pequena mochila, de metal ou plástico, sei lá. Ela acertou os cotovelos nas laterais dela. O fundo da mochila se soltou e desceu. Um trilho com diversos carregadores paras as pistolas, ela bateu as armas lá e estava pronta para continuar atirando. Tudo não durou 2 segundos.
Eu e Lincoln corremos em direção a Velkan, eu o tive na mira, mas um homem bruto enorme me deu uma ombrada e me arremessou no chão. Eu soltei a pistola.
Lincoln parou e pensou em ajudar.
- Vá atrás do Velkan. – eu disse. Me levantei, estalei os punhos e abri um sorriso maléfico – Eu cuido desse aqui.
O lycan sorriu também.
- Eu não preciso me transformar para acabar com um bostinha como você. – ele se pôs numa posição de luta – Vamos lá garoto.
Lincoln se pôs na frente de Velkan e apontou o sabre para seu peito.
- Indo embora tão cedo?
- Para falar a verdade – Velkan responde sem se exaltar – Só estava esperando alguém para me divertir. – Ele puxa do casaco sua própria espada.
A espada de Velkan parecia comum, uma lamina reta prateada e reluzente, porém com alguns sulcos pequenos correndo pela lamina toda. O cabo era redondo, preto, com relevos cinzas para dar mais firmeza a quem a segura, mas tinha um detalhe estranho, algo parecido com um botão ou gatilho no cabo.
Velkan girou a espada duas vezes e apontou-a para Lincoln. Ele apertou o gatilho, os sulcos se preencheram com um forte brilho azul que reluziu por toda a lamina, que parecia se ascender como uma lâmpada.
- Manda a ver meu velho.
Lincoln investiu contra ele. Velkan desviou o sabre de Lincoln com sua espada e acertou-lhe uma cotovelada na barriga. Lincoln recuou caindo, mas apoiou uma mão no chão e girou o corpo em torno dela se pondo de pé novamente. Velkan avança na sua direção com aponta da espada indo direto a seu peito, Lincoln usou o sabre e girou a lamina de Velkan, eles começaram a cruzar espadas, com uma ferocidade incrível.
Velkan fez um corte na vertical, Lincoln defendeu, mas a lamina de Velkan estava já cortando sua bochecha esquerda, Velkan puxou o gatilho da espada, ela se iluminou e causou uma terrível queimadura no rosto de Lincoln. Este de afastou com muita dor, ele punha mão no rosto e olhava para Velkan, que estava com seu sorriso sádico no rosto. A região de seu rosto em torno do corte estava cinzas.
- Qual o problema velho? Está enferrujado? – Velkan avançou novamente contra Lincoln.
Enquanto isso eu lutava contra o lycan enorme no mano a mano. Apesar de ser grande e pesado, como um lutador de wrestling, era muito rápido cada soco que me acertava me deixava em reação, enquanto eu os que eu acertava nele nem pareciam surtir efeito. Por um momento ele baixou a guarda, acertei um cruzado de esquerda no seu maxilar, ele virou o rosto, acertei um soco com a mão direita bem no seu nariz, fiquei a repetir o combo esquerda, direita, esquerda, direita, tudo no seu rosto mas ele mal se importava, me agarrou pela cabeça e me levantou do chão. Agarrei sua cabeça e comecei a dar-lhe joelhadas no queixo. Ele me soltou e socou meu estomago, eu me curvei, acertou uma cotovelada na minha nuca, eu cai de joelhos e com um chute ele me pôs novamente de pé. Vinha me acertar com um soco, mas me esquivei e fui para trás dele, agarrei seu braço e seu rosto, cravei os dentes na sua jugular. O sangue esguichava longe, quanto mais eu bebia mais fraco ele ficava. O Lycan pulou e deu girando o corpo para que caísse de costas em cima de mim, ao bater n chão me acertou uma cotovelada na barriga, eu soltei os dentes do seu pescoço. Ele me agarrou pela boca e arremessou por cima de seu ombro a metros de distância.
Cai próximo ao combate de Lincoln com Velkan, haviam ainda alguns humanos ali perto esperando uma oportunidade de fugir. Lincoln fez uma ultima investida contra Velkan, tentou cravar o sabre em Velkan.Ele se esquivou, acertou uma espada na mão Lincoln, cortou-a fora. O Sabre de Lincoln voou pelo parapeito caindo no andar inferior da boate. Velkan girou a espada e cravou-a na barriga de Lincoln. Ele cuspiu sangue. Velkan o encarou com um olhar de desprezo, puxou o gatilho, a lamina se iluminou e ele a puxou pela lateral, Lincoln se partiu em dois queimando em cinzas.
- Não! – eu tentei me por de pé.
Os humanos aproveitaram a deixa para correr. Velkan agarrou um pobre coitado pelo pescoço e ergeu-o do chão.
- Humanos.... Criaturas tão... insignificantes.
Só então que reconheci quem ele estava segurando. Era Robinson, meu amigo.
- Deixe-o ir Velkan ele não tem nada haver com isso.
- Ora, por que você simpatiza com essa raça? Mesmo diferente de mim você também é um ser superior a eles.
- Eu disse para soltar ele! – Tentei avançar em Velkan, mas o lycan com quem lutava antes me puxou pelo pé.
- Não se preocupe garoto, - Velkan disse para Robinson – estou te fazendo um favor.
Ele cresceu os dentes e cravou-os no ombro de Robinson, que gritou de dor.
Bruno e Julia se aproximavam, Velkan soltou Robinson e fugiu. Robinson também saiu correndo.
- Cuidem deles! – Velkan ordenou aos seus capangas. – E Igor, de uma atenção toda especial pra esse ai.
- Pode deixar chefe. – o lycan que me segurava respondeu.
Igor me arremessou pela bancada para o andar inferior e saltou atrás de mim.
O andar estava vazio, nada de vampiros ou lobisomens por aqui. Havia uma saída do lugar, mas estava atrás de Igor, além do mais fugir não era exatamente minha idéia.
- Vou arrancar esses seus dentes bostinha. – Igor ameaçava-me
- Isso eu to pagando pra ver. – avancei contra ele.
Mas ele me acertou no ar, eu cai de costas no chão. Ele pisou no meu pescoço, se agachou e abriu minha boca com as mãos. Puxava meu maxilar com tanta força que logo o arrancaria. Eu não conseguia reagir. De repente a lamina de Lincoln atravessa seu peito. Ele esboçou uma dor agonizante, mas morreu antes que pudesse gritar.
Seu corpo caiu para o lado. Atrás dele estava Agatha, estava chocada com o que tinha acabado de fazer. Ela caiu de joelhos. Eu a abracei.
- Eu... eu.... – ela balbuciou em choque. Porém o tom da sua voz mudou. – Você disse para eu ir embora com meus amigos... Então tive que te esperar. – ela caiu numa gargalhada confusa.
Sua cabeça estava completamente confusa, não sabia o que sentir. Bruno desceu e veio falar comigo.
-Está tudo bem garoto? E ela? Está ok?
- Eu to bem.
- Você viu o que eu fiz, você vai me entregar? D, eu vou pra cadeia? – Agatha perguntava sem nem pensar.
- Calma garota, eu sou policial, eu vi tudo o que aconteceu, isso é legitima defesa, você via ficar bem ok. – Bruno tentava acalma-lá.
Tudo havia acabado, o lugar estava cheio de policiais fazendo perícias e investigações com as testemunhas, todos da sociedade vampírica claro.
- Velkan escapou – Bruno comentava comigo.
- Lincoln resistiu?
- Não.....
- E o que será da Agatha agora?
- Ela não viu nada, será fácil convence-la de que isso não passou de coisa de alguns psicopatas.
- Tem um outro problema.... Velkan mordeu um rapaz, um velho amigo meu, mas ele fugiu.....
- Então temos um lycan prestes a se transformar vagando pelas ruas..... ótimo.
- O que vão fazer com ele?
- Simplesmente vamos acha-lo. Seu amigo vai precisar de ajuda, ou via acabar fazendo merda. E se tratando de lycans é sempre merda das grandes.
Agatha veio falar comigo.
- É um jeito estranho de se despedir das pessoas.... Não era bem assim que eu esperava que fosse ser a noite...
- Aga...
- Adeus D, simplesmente adeus... – ela desviou os olhos e correu.

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