segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Capítulo IV – O que tens feito nesses 30 anos?

Acordei, a sala era escura; mas não que isso fizesse diferença para mim; estava dentro de uma jaula, as barras de ferro estavam amassadas e retorcidas; tentei bater contra elas, contra a porta, mas nada, somente fiz barulho.

- Esquece C, essas barras são de aço reforçado, vai não vai passar por elas. – disse Café que estava numa jaula ao meu lado.

- Cara.... que porra toda foi essa?? Lobisomens???

- Nem me pergunte, nos meus 30 anos de vampiro mais os 26 de humano, nunca tinha visto nada disso...

- Então eu devo ter tirado a sorte grande..... – respondi com um sorriso irônico – E o resto do pessoal?

- A Eve foi destroçada, a Maggie e o Nóia devem ter fugido. Quanto ao Ray a Bella o Tio.... ahh nem sei.

- Aww...

- É foda, talvez as coisas sejam assim mesmo.

- Como assim talvez?

- A verdade, é que nós só passamos por cidades pequenas, fazemos um Fuzuê e íamos embora. Talvez nas cidades grandes como essas tenham desses bichos, tenham mais vampiros...

- Talvez tenham mais vampiros? Tem certeza de que vocês sabe o que de fato acontece no mundo?

- Não... A verdade é que eu sei tanto quanto você. Quando eu fui transformado pelo Ray, Bella e a Maggie em 78, na minha cidade no interior. E ai eles me disseram o mesmo que disseram para você. – Café esboça uma expressão de desanimo e desapontamento enquanto me contava isso – O Ray e a Bella eram um casal de namorados que foi tranformado na década de 50. A Maggie foi próximo dessa época. Você pelos seus nomes...

- Esses nomes, são é muito nada haver pra mim.... Pra falar a verdade eu já não gostava de me chamar Denis, mas C é foda.

- Há e você ainda reclama.... Me chamam de café! Adivinha por que? – o tom de a expressão dele já deixavam implícito “é por que eu sou negro porra”. – O Ray inventa esses nomes conforme eles estalam na cabeça dele. Se não me engano o nome real dele era Raimundo, e ele chama a Bella assim pois era e ainda é a namorada dele, é uma espécie de “puxa-saquismo” entende...

Minha vontade foi soltar um irônico, “caramba que bom que você me explicou”, mas devido a circunstancias desagradáveis em que estava saiu: – É entendo.

- Maggie tem a ver com as musicas da época, naquela época estava começando o Rock’n Roll e tinham muitas musicas que falavam de garotas e geralmente elas tinham nomes como Susie, Maggie, Peggie Sue.... O Nóia nós tranformamos, agora no começo da década, por isso que o nome dele vem de uma gíria mais nova. O Tiozão apareceu alguns dias antes de você, logo que chegamos à cidade.

- Entendi, mas como vocês escolhem quem transformar e quem simplesmente matar? É pela simples vontade do Ray?

- Exato, tirando o caso da Eve.... Eu que pedi para que a transformássemos...

- Vocês eram....

- É éramos... o que éramos é mais difícil de explicar, mas éramos....

- Argh... meus pêsames pelo o que aconteceu.

- Valeu C.... Mas é o que deve acontecer com a gente em breve mesmo....

- Isso é bem animador ein....

- Foi mal cara, mas é que pra mim está ótimo... Eu já não quero vagar por ai pra sempre, ou até Deus sabe quando..... Você ta assim a pouco tempo. Talvez até gostasse de ser assim. Eu gostava da minha vida antiga e simples....

Uma voz interrompeu nossa conversa.

- Olha que bonitinho eles acordaram. – Era o lobisomem que tinha me nocauteado, agora na forma humana, claro. Era um cara alto e forte com cabelos meio compridos e uma bandana, parecia o Rambo – Bom dia luz do dia!

Ele rapidamente abriu e fechou uma persiana, alguns raios de sol entraram na sala e nos atingiram em cheio. A queimadura ardia terrivelmente, nunca tinha sentido nada assim, mas estava bem.

- Seu maldito, eu vou acabar com você, seu merda! – Café se atirava contra as grades com ódio nos olhos.

- Pra que toda essa agressividade? Está um dia tão bonito. – o “John Rambo” abriu e fechou a persiana mais 3 vezes bem rápido. Eu e Café caímos no chão agonizando de dor. – Depois a gente volta aqui pra tomar um lanche.

Levou alguns minutos até que nos recuperássemos. Me sentei com a cabeça entre os joelhos. Estava “na bosta”. Café voltou a falar.

- Sabe C, não que faça alguma diferença agora, mas isso fica martelando na minha cabeça....

Levantei o rosto e olhei para ele.

- Você e o Tiozão... Não foram transformados por nós. Deve haver pelo menos mais um vampiro nessa cidade.

- É tem razão.... não faz diferença alguma. – eu respondi com um sorriso que acho que só pode ser considerado sádico.

- Talvez seja o que transformou Ray e Bella, talvez hajam vários outros vampiros por ai, se conseguir sair daqui você devia procura-los... Procurar alguém que realmente entenda o que somos.

- “EU” devia? E você vai procurar o Ray e os outros?

- Eu não vou sair daqui C. A única coisa que eu quero agora é levar quantos desses filhos da puta eu puder junto comigo para o inferno...

As horas passaram já devia ser noite. Pelo menos os “lobs” iam parar de passar aqui e brincar com aquela persiana. Embora que provavelmente iam fazer de nós um banquete logo logo.

Ouvimos um estouro, tipo uma explosão....

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