sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Atualizado 5/12/09: Capitulo XI

No início do ano havia sido apresentado pro um amigo a uma comunidade do Orkut onde os usuários escreviam e postavam contos, ele estava escrevendo um e eu entrei na onda tbm xD
Com o tempo eu parei de escrever, até me ressurgir inspiração, q aconteceu recentemente, entã decidi dar continuidade a historia.
Neste blog você encontrará este conto,que ainda está sendo escrito e publicado aos poucos.

Sobre o conto:

É uma historia de vampiros. Diga se de passagem que quando comecei a escreve-la ainda não estávamos nessa onda de vampiros de hoje em dia. Se estivéssemos, usaria outro tema.

O conto contém bastante "cenas" de ação, uma influencia dos filmes de hollywood provavelmente, mas ainda assim tento apresentar uma hhistoria estruturada, com personagens de caratér forte e interessante com seus próprios conflitos psicológicos, em um universo crível.

Sobre o autor:

O autor sou eu. u.u

Enjoy! (y)

Capitulo 2 - Em boa companhia?
Capitulo 7 - Caça e caçador.
Capitulo 10 - Réquiem vermelho.
Capitulo 11 - A Casa de Nocturne.
Capitulo 12 -

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Capitulo I – Bem vindo às trevas.

Acordei! Tá tudo escuro, escuro demais. Não lembro de ter voltado pra casa ontem.....

Pô será que eu bebi tanto assim? Não eu nunca bebo tanto assim.... Aliás, ontem eu nem bebi....... Vou me levantar e.....

-Ahh! – Bati a cabeça em algo duro como uma parede. Estou começando a ver nessa escuridão, mas não acho saída nenhuma, eu estou numa caixa de aço! Comecei a me desesperar, me enterraram vivo? Puseram-me em algum tipo de freezer? Ta frio pra cacete aqui, minhas roupas nem... Minhas roupas, cadê? Eu to coberto por um cobertorzinho de papel ou de plástico sei lá e mais nada.......

PORRA!?!?! Eu to numa gaveta de necrotério!?!?

-Aê!!! Alguém ai fora! Socorro! Eu não morri não! Alguém me tira daqui! Pooorrraaa!!! - Gritei a todo pulmão e nada.

Comecei a me desesperar, fiquei me debatendo, amassava as paredes da gaveta, mas isso não me ajudava em nada, dei uma pesada na porta da gaveta e ela voou longe. Foi até que bem fácil, pensei que fosse por causa da adrenalina.

Emperrei o teto e a gaveta deslizou para fora. Tinha um médico com uma puta cara de assustado olhando pra mim, também não era pra menos né? O coração do coitado batia tão forte q eu conseguia ouvir o sangue correndo pelas suas veias. Olhei em volta, vi q ainda não tinham guardado meus pertences sei lá onde os guardariam, corri peguei minhas coisas e pulei pela janela; só depois vi que estava no 5º andar. Mas cai no chão sem me machucar, simplesmente dobrei os joelhos. Estava agora no beco atrás do prédio do IML, creio eu. Vesti-me, coloquei o meu inseparável crucifixo de prata, eu não era religioso, mas achava aquele colar muito foda, a cruz larga de prata com uma pedra vermelha que nunca descobri qual é no meio. Chequei meus bolsos, minha carteira ainda estava lá, como de costume sem dinheiro, só com meus documentos. Ahh meu RG, Denis dos Santos; nunca achei meu nome bonito... mas até que gosto afinal foi o que minha mãe e meu pai me deram... a minha foto com cara de bobo, será q alguém saio bem nessas fotos de RG??? Um sorriso idiota no rosto, o cabelão preto jogado pra trás, nessa foto não dá pra notar q meu cabelo é mais comprido do que o da maioria das meninas que conheço. Levantei os olhos, vi meu reflexo numa janela, minha cara continua a mesma, ufa! Não que eu seja lindo, mas ia ser complicado se acostumar com outra cara depois de 20 anos usando essa aqui.... Embora q eu estava muito, muito pálido mesmo, e minha pupilas extremamente dilatadas. Será que tinham me drogado??? Não nenhuma droga iria me fazer passar por morto.. Só talvez se tivessem me dado veneno de baiacu, Por que alguém me daria veneno de baiacu? Ficava pensando tentando descobrir o que aconteceu, mas logo parei de raciocinar, estava com muita fome, ou seria mais tipo uma sede... A quanto tempo eu não comia..... ou.... bebia....? Sai andando cambaleando, sentia-me fraco ia em direção a rua; mas a luz dos postes estava tão forte que meus olhos ardiam, voltei e fui andando por dentro do beco.

Não estava tão escuro; aliás estava sim, mas dava pra ver perfeitamente. Escutei uma bicicleta se aproximando de vagar, bem como alguns passos. Meu estomago dói, dói muito. Olho pra trás e uma bicicleta com 2 caras quase me atropela, um terceiro fica parado atrás de mim segurando algo por de baixo da camisa, todos mal encarados e com a típica vestimenta de malandro. A bicicleta fica andando em círculos em volta de mim, um dos caras da bike salta ele vem se aproximando.

- E ai playboy, que que tu tem ai pra nóis? – Ele “latiu”.

Não respondi nada, meu estomago ardia.

- O filho da puta eu to falando contigo o caralho...- ele continuou gritando, enquanto sacava uma faca – Tu ta achando que tu pode... – não ouvia mais ele falar, meu estomago queimava, via a boca dele mexer mas não ouvia palavras, só escutava um barulho de líquido correndo muito rápido, como um rio ou sei lá, só sei q esse barulho em dava água na boca.

Ele me atacou com a faca, tentou enfia-lá no meu rosto, por puro reflexo eu desviei bem rápido, ele puxou a faca pro lado tentando cortar minha cara, eu simplesmente abaixei, nem pensava só agia. Quando me dei por mim estava a uns 3 metros do chão, na parede, sugando sangue do assaltante que só reagia com uns espasmos de um semi-morto, Os outros dois estavam no chão olhando pra nós desesperados. O que estava armado puxou um revolver pequeno e velho de baixo da camisa ele estava tão amedrontado que não conseguia mirar. Tentou me dar um tiro mas errou feio, joguei o cadáver do amigo nele, ficou um rastro de sangue pelo caminho, combinava com a cachoeira de sangue que escorria pela parede do lugar em que eu estava. O ladrão na bicicleta saiu pedalando muito rápido, mas um cara vestido todo preto agarrou-o pelo pescoço com uma só mão, sufocando-o.

- Olha só, ele dá uma festa e não chama mais ninguém.... – disse o cara de cabelos arrepiados, num tom irônico.

- Acho que ele não tem nenhum amigo Ray, coitadinho – disse, num tom sarcástico, uma garota loira de cabelos repicados, também toda de preto que estava logo surgira ao lado dele.

Olho pra trás e devia haver já umas 4 “pessoas” devorando o cara que tinha tentado me dar tiro, foi só ai que caiu minha ficha. Eu virei um vampiro, ou alguma porra louca desse tipo? Será que foi esse povo que me transformou? Será que transformam você nisso que nem nos filmes? Olhei pro tal de Ray de novo, ele tava sugando o cara da bike, ele olhou pra mim e jogou o moribundo pra loira.

- Divirta-se Bella. – ele disse sorrindo pra ela, voltou os olhos de volta para mim – Então tem andado por ai sozinho moleque?

- Acho que ele podia usar de uma boa companhia não Ray? - disse um homem que aparentava uns 45 anos, aparecendo atrás do Ray, achei que era o líder do bando, já que todo mundo mais parecia ter a minha idade.

- Se precisasse de sua opinião pedia Tiozão – Ray arrebatou, “ok ele não é o líder” logo veio a minha cabeça. – Acha que eu não sei o que to fazendo?

- O que que ta acontecendo? Que porra toda é essa?

- Calma moleque, você é um de nós agora. –Ray me respondeu - Bem vindo as trevas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Capitulo II – Em boa companhia?

Aquele povo me acolheu, me deixaram fazer parte do grupo.

- Então moleque, tu deve ta cheio de duvidas, mas é simples, é que nem nos filmes – Ray me explicava – Tu não pode tomar sol e tem que beber sangue.

- Mas e aquelas viajadas tipo, estacas de madeira, prata, crucifixos - eu perguntava mexendo no meu crucifixo que ainda por cima era de prata também.

- Tudo besteira, só não sair de dia que você vai viver pra sempre. Eu to nesse jogo a 70 anos. Rodei por todo esse país. Fiz a maior carnificina em tudo quanto é cidadezinha do interior e dei o fora, o povão tenta dar tiro, facada, até pedra em mim já jogaram, nunca aconteceu nada.

- Mas então vocês nunca estiveram em uma cidade grande? Nem por muito tempo?

- Não desde 1952. Quando eu encontrei a Bella – ele disse meio que acenando pra ela. – O lá, te apresenta pro pessoal. O branquelo com tribais no cabelo é Nóia, o negão ai é o Café; a morena é a Eve e a ruiva é Maggie. E o tiozão ali é o Tiozão. Tu vai ser...

- O meu nome é Denis, mas eu não acho muito legal, as pessoas me chamavam de D...

- D é o caralho! Teu nome vai ser C – o tal de Nóia interrompeu, começo a descobrir porque o chamam assim.

- Vai te fuder Nóia tu só fala merda! – disse a Maggie dando um “pedala” nele.

- Péra ai ele ta meio que certo – o Ray corrigiu. – ninguém aqui tem o nome de quando era humano, isso já era, se te chamavam de D vai ser bom pra você ser o C agora.

Entendi o pensamento, afinal o D morreu né? Ele tava no necrotério já....

Apesar de não ter ido muito com o jeito desse pessoal, acho que é com eles que vou ter que ficar.

- Tá, C é bom – não, não é na verdade, mas ok....

- Então vamo fazer uma festa de boas vindas pro novato!!! – Ray gritou, e o pessoal se animou de uma forma um tanto quanto perturbadora.

Acho vem merda por ai, o sorriso sádico na cara deles não me agradava muito. Será que íamos pra uma daquelas festas tipo aquelas de filmes como Blade,em que é como uma balada, ai eles jogam sangue na gente, e tem uns humanos desavisados que vão lá pra nós petiscarmos? Nahh.. que viagem isso não existe, não tem como existir.... Algo assim não passaria despercebido pela policia nem pela mídia, ou ia??? Seria legal... Não não seria monstruoso! Porra, o que acontece comigo? Tenho uns pensamentos estranhos... Será que com o tempo toda a humanidade em mim vai desaparecer? E eu vou me tornar um matador sem a menos noção de certo e errado?

O Tiozão se aproximava de mim, ele parecia ser o único, além de mim, que não partilhava daquela euforia.

- Pra onde a gente vai?

- Pra uma festa oras, eles já disseram – ele me respondeu num tom... “normal”

- É, mas o que será essa tal festa?

- Parece um tipo de balada particular, organizada por uns tais de Cães da Noite; uma festa fechada só com gente da pior espécie; ninguém de quem a sociedade sentira falta. Você ainda tem ressentimentos quanto a caçar gente, não é?

- É um lugar cheio de gente e bem isolado. – interrompeu Maggie, a vampira ruiva – E é isso que importa. – ela me agarrou pelo pescoço e me puxava para junto do resto do bando – Eu te prometo que essa vai ser noite muito louca!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Capitulo III – Se você quer sangue.... ...conseguiu.

Chegamos ao lugar, era um conjunto de prédios velhos, bem isolado. Estava meio ansioso. De alguma forma a idéia de um banho de sangue me agradava. Entramos por portas de ferro meio enferrujadas, esse lugar devia ser uma fabrica, agora era só um espaço muito grande e abandonado.

Como prometeram estava cheio de gente, e da pior espécie. Jovens de classe alta, vulgo playboys, para todo lado que olhasse tinha drogas, e muitas; claro tinham também os traficantes que as vendiam.... As luzes estreboscópicas pulsavam dando aquele efeito legal de slow-motion. A música não podia ser pior.. FUNK. Argh realmente não dá remorso nenhum acabar com todo mundo aqui. Ray começou a falar.

- Vamo fazer assim, Eu e a Bella ficamos aqui na porta pra não deixar ninguém sair. Vocês vão para os cantos, e quando começar a próxima musica, começa a nossa festa.

Separamos-nos, cada um para cada lado se embrenhando por aquele mar de gente. Às vezes eu notava no meio da multidão, alguém meio destoado. Como se não devesse estar aqui. Talvez fossem os tais organizadores do lugar, os Cães da noite... Que raio de nome é esse? De repente, eis que surge o Tiozão.

- Ok garoto, escute e escute bem; de o fora daqui antes que a carnificina comece. Você não é desse tipo dá pra ver em seus olhos. Esses caras não sabem de nada, você está se metendo numa fria.

- Mas como pra onde eu vou o que eu digo? E você, você é desse tipo?

- Simplesmente pule por uma janela e desapareça. Eu te encontro.

E então ele sumiu no meio de todo mundo.

Corri pela multidão procurando-o, mas topei com Maggie, ela me segurou.

- Nervoso garotão? – fiquei sem palavras, o que deveria dizer – Fica aqui, já vai começar.

A musica acabou, estávamos só esperando que a próxima começasse. O DJ fez um anuncio.

- É isso ai galera, agora vocês vão gritar!

Vão mesmo, eu pensava.

- Por que a festa de vocês acabou, e agora vai começar a nossa!

Olhei para a Maggie, já estava pensando se o DJ também era um dos nossos, mas ela parecia tão confusa quanto eu.

- CÃES!!! Sirvam-se!

Os vidros das janelas altas estouraram, coisas muito grandes entraram, eu não consegui ver o que eram, mas não eram pessoas. Já ouvia a gritaria, mas havia também uns grunhidos e rosnados. O DJ pulou em cima da mesa de som, ele estava crescendo, mudando de alguma forma a aparência física. De começo parecia que ele estava simplesmente ficando “bombado”, mas sua cabeça começava a mudar de formato de um jeito perturbador. “Não fode, não pode ser o que eu estou pensando.” Mas quando começaram a crescer pelos pela sua pele, tive certeza do que estava acontecendo.

- Vamos dá o fora daqui! – gritou a Maggie.

Saímos correndo tentando chegar numa das janelas. Caralho! Primeiro vampiros, agora lobisomens?

Enquanto corríamos topamos com daqueles caras que eu considerei “destoados” da multidão. Ele estava com uma metralhadora!?! Atirando nas pessoas, ele apontou o rifle pra minha barriga e me deu uns 6 tiros. Doeu para caralho! Mas não chegou a me derrubar. Tirei a metranca de suas mãos e revidei, atirei na sua barriga também. E tal como eu, ele não caiu. Ainda pior sorriu!

- Ei Cães! Temos morcegos na casa!!! -

Seus dentes rapidamente cresceram, seu rosto mudou criando um focinho, os pelos cobriram seu corpo. Pronto ai tinha um lobisomem bem na minha frente.

Ele tirou a arma da minha mão e mordeu meu ombro. A força da sua mandíbula era absurda, ele me sacudia de um lado para o outro, me batendo contra o chão e contra a parede. Eu socava a cabeça dele com toda a força que podia, mas ele nem parecia sentir. Entre uma porrada contra parede e a outra contra piso, só podia ver Maggie correndo e o que parecia ser o Café tentando lutar também....

Minha vista começou a escurecer, não ouvia mais nada, as pancadas na cabeça eram cada vez piores..... acabei desmaiando.....

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Capítulo IV – O que tens feito nesses 30 anos?

Acordei, a sala era escura; mas não que isso fizesse diferença para mim; estava dentro de uma jaula, as barras de ferro estavam amassadas e retorcidas; tentei bater contra elas, contra a porta, mas nada, somente fiz barulho.

- Esquece C, essas barras são de aço reforçado, vai não vai passar por elas. – disse Café que estava numa jaula ao meu lado.

- Cara.... que porra toda foi essa?? Lobisomens???

- Nem me pergunte, nos meus 30 anos de vampiro mais os 26 de humano, nunca tinha visto nada disso...

- Então eu devo ter tirado a sorte grande..... – respondi com um sorriso irônico – E o resto do pessoal?

- A Eve foi destroçada, a Maggie e o Nóia devem ter fugido. Quanto ao Ray a Bella o Tio.... ahh nem sei.

- Aww...

- É foda, talvez as coisas sejam assim mesmo.

- Como assim talvez?

- A verdade, é que nós só passamos por cidades pequenas, fazemos um Fuzuê e íamos embora. Talvez nas cidades grandes como essas tenham desses bichos, tenham mais vampiros...

- Talvez tenham mais vampiros? Tem certeza de que vocês sabe o que de fato acontece no mundo?

- Não... A verdade é que eu sei tanto quanto você. Quando eu fui transformado pelo Ray, Bella e a Maggie em 78, na minha cidade no interior. E ai eles me disseram o mesmo que disseram para você. – Café esboça uma expressão de desanimo e desapontamento enquanto me contava isso – O Ray e a Bella eram um casal de namorados que foi tranformado na década de 50. A Maggie foi próximo dessa época. Você pelos seus nomes...

- Esses nomes, são é muito nada haver pra mim.... Pra falar a verdade eu já não gostava de me chamar Denis, mas C é foda.

- Há e você ainda reclama.... Me chamam de café! Adivinha por que? – o tom de a expressão dele já deixavam implícito “é por que eu sou negro porra”. – O Ray inventa esses nomes conforme eles estalam na cabeça dele. Se não me engano o nome real dele era Raimundo, e ele chama a Bella assim pois era e ainda é a namorada dele, é uma espécie de “puxa-saquismo” entende...

Minha vontade foi soltar um irônico, “caramba que bom que você me explicou”, mas devido a circunstancias desagradáveis em que estava saiu: – É entendo.

- Maggie tem a ver com as musicas da época, naquela época estava começando o Rock’n Roll e tinham muitas musicas que falavam de garotas e geralmente elas tinham nomes como Susie, Maggie, Peggie Sue.... O Nóia nós tranformamos, agora no começo da década, por isso que o nome dele vem de uma gíria mais nova. O Tiozão apareceu alguns dias antes de você, logo que chegamos à cidade.

- Entendi, mas como vocês escolhem quem transformar e quem simplesmente matar? É pela simples vontade do Ray?

- Exato, tirando o caso da Eve.... Eu que pedi para que a transformássemos...

- Vocês eram....

- É éramos... o que éramos é mais difícil de explicar, mas éramos....

- Argh... meus pêsames pelo o que aconteceu.

- Valeu C.... Mas é o que deve acontecer com a gente em breve mesmo....

- Isso é bem animador ein....

- Foi mal cara, mas é que pra mim está ótimo... Eu já não quero vagar por ai pra sempre, ou até Deus sabe quando..... Você ta assim a pouco tempo. Talvez até gostasse de ser assim. Eu gostava da minha vida antiga e simples....

Uma voz interrompeu nossa conversa.

- Olha que bonitinho eles acordaram. – Era o lobisomem que tinha me nocauteado, agora na forma humana, claro. Era um cara alto e forte com cabelos meio compridos e uma bandana, parecia o Rambo – Bom dia luz do dia!

Ele rapidamente abriu e fechou uma persiana, alguns raios de sol entraram na sala e nos atingiram em cheio. A queimadura ardia terrivelmente, nunca tinha sentido nada assim, mas estava bem.

- Seu maldito, eu vou acabar com você, seu merda! – Café se atirava contra as grades com ódio nos olhos.

- Pra que toda essa agressividade? Está um dia tão bonito. – o “John Rambo” abriu e fechou a persiana mais 3 vezes bem rápido. Eu e Café caímos no chão agonizando de dor. – Depois a gente volta aqui pra tomar um lanche.

Levou alguns minutos até que nos recuperássemos. Me sentei com a cabeça entre os joelhos. Estava “na bosta”. Café voltou a falar.

- Sabe C, não que faça alguma diferença agora, mas isso fica martelando na minha cabeça....

Levantei o rosto e olhei para ele.

- Você e o Tiozão... Não foram transformados por nós. Deve haver pelo menos mais um vampiro nessa cidade.

- É tem razão.... não faz diferença alguma. – eu respondi com um sorriso que acho que só pode ser considerado sádico.

- Talvez seja o que transformou Ray e Bella, talvez hajam vários outros vampiros por ai, se conseguir sair daqui você devia procura-los... Procurar alguém que realmente entenda o que somos.

- “EU” devia? E você vai procurar o Ray e os outros?

- Eu não vou sair daqui C. A única coisa que eu quero agora é levar quantos desses filhos da puta eu puder junto comigo para o inferno...

As horas passaram já devia ser noite. Pelo menos os “lobs” iam parar de passar aqui e brincar com aquela persiana. Embora que provavelmente iam fazer de nós um banquete logo logo.

Ouvimos um estouro, tipo uma explosão....

domingo, 4 de outubro de 2009

Capítulo V - A invisível guerra de 3 lados.

Nos entre olhamos confusos, estava a maior gritaria, ouvíamos tiros; parecia que algum tipo de comando tático havia invadido o lugar. Diversos lobisomens passaram a correr pela sala frenéticos indo na direção de onde vinham os barulhos, alguns nem estavam transformados, estavam na forma humana mas portavam armas pesadas, AKs, M60s, e outros rifles que nem sei identificar.

De repente a parede explode e um lobo mutilado voa contra as grades das nossas pequenas celas. Ele se levanta e rosna para um homem que vestia uma armadura militar, parecida com a dos soldados americanos, mas em cores urbanas. O homem ergue sua arma, uma FAMAS com um lança granadas de 40 mm acoplado abaixo do cano.

- Adeus totó – ele ridicularizou o lobisomen e disparou uma granada em seu peito. A criatura explodiu, tripas voaram para todo lado. Meio nojento eu achei, mas a explosão também arrebentou as portas das celas.

- Ei! Socorro velho, esses bichos trancafiaram a gente aqui.

Ele nos olhou cm uma cara de indiferença. – Desculpe garoto. – e nos fuzilou.

Caímos no chão por causa do impacto das balas, não doera mais que os tiros que havia recebido na noite anterior, mas além do sangue, um estranho líquido prateado também jorrava das feridas. Eu tirava a bala de dentro do meu peito. O soldado olhou-nos com um expressão assustada.

- Ahh merda! Vamp... – sua exclamação foi interrompida pelos dentes do café cravados na sua jugular. Ele arrancou as veias do homem com sua mordida e a cuspiu no chão.

- Caralho velho! Quem são esses caras – eu gritei para ele.

- E faz diferença? – ele me respondeu pegando o rifle do cadáver.

Juntamos nos a matança. Café mostrou que sabia usar bem uma arma. Não saiu por ai segurando o dedo, como eu teria feito se estivesse na minha mão, ele racionava tiros matava soldados e lobos que estavam sozinhos com curtas rajadas, enquanto usava as granadas de 40mm para explodir pequenos grupos que estivessem próximos.

Por estar desarmado evitei conflitos com lobisomens, já vi ontem que não tenho chance contra um deles, mas os soldados eram um banquete de um buffet boca-livre. Ao que parece a munição que eles estavam usando era extremamente eficiente contra lobisomens, as balas causavam uma irritação e inchaço na região atingida, o que os levava a morte em poucos segundos, as facas que eles usavam causavam o mesmo efeito. Porém elas pareciam basicamente inofensivas para nós vampiros.

Claro que as granadas eram outra historia, mas se nenhuma em acertar ta tudo bem.

Eu lutava com vários daqueles soldados ao mesmo tempo, por estar em combate aproximado eles evitavam as granadas, até mesmo os rifles. Um deles me atacou com sua faca, desviei o rosto do caminho da lamina e mordi seu pulso, seus parceiros tentaram me cortar também, usei o soldado como escudo humano. Segurava-o pelo pulso do qual me alimentava e com meu braço direito segurava-o pelo pescoço desviando seu corpo para bloquear as facadas.

Joguei o cadáver no chão, peguei a faca dele, defendi um golpe horizontal de algum pobre coitado, girei sua lamina e cravei a faca na sua mão, que ficou presa a parede.

Outros dois que lutavam comigo também me atacaram ao mesmo tempo, esquivei do golpe de um e com um chute quebrei o joelho do outro. Este caiu no chão gritando de dor, mas tentava se levantar, mas o outro seguiu atacando, com um corte de baixo para cima que continua não me acertando.

Puxei a faca do pulso do coitado preso a parede e com um corte radial cortei as três gargantas.

Ia à direção ao Café, não que ele precisasse da minha ajuda para continuar sua chacina, estava com uma metralhadora em cada mão e incontáveis corpos humanos e de lobisomens ao seu redor. Eis que surge um soldado o qual o rifle tina sob o cano uma lanterna, ele a ascende, emitia uma estranha luz azulada.

Parecia inofensiva até que ele apontou-a para Café, seu braço que foi iluminado queimou instantaneamente. O soldado se aproximou dele, ia executa-lo com aquela luzinha, nem tive tempo de pensar, peguei uma pistola do chão e atirei no homem que caiu ao lado do Café.

Os lobisomens não perderam a oportunidade, 5 voaram para cima dos dois moribundos. Café olhou para mim e disse num tom calmo, quase feliz:

- Simplesmente de o fora daqui garoto. – ele puxou 6 pinos de granadas presas a roupa do soldado no exato momento em que os lobos cravaram seus dentes deles.

Uma bola de fogo enorme consumiu tudo que estava ali, deixando só alguns pedaços de carne carbonizados. Procurei uma saída, havia uma janela no segundo andar do enorme galpão onde eu estava. Sai correndo aproveitando a confusão gerada pela matança entre humanos e lobos para passar despercebido. Subi as escadas mas logo que ia saltar pela janela recebi uma pancada muito forte e voei contra a parede. A pistola voou da minha mão.

Um lobisomem enorme me encarava como que dizendo “Aonde pensa que vai moleque?” Reconheci-o pela bandana em sua testa, era o “Rambo”, de fato agora ele ainda carregava uma enorme metralhadora calibre 50, fazendo a verdadeira figura de um Lobisrambo.

Ele apontou a enorme arma na minha direção, pulei pouco antes que ele puxasse o gatilho, a curta rajada de balas foi o suficiente para derrubar a parede na qual ele tinha me arremessado. Mas agora eles estava entre mim e a liberdade.

Investi contra ele mesmo desarmado. Ele tentava atirar em mim, mas eu desviava o cano da metralhadora da minha direção. Cheguei perto o suficiente para que ele tentasse abocanhar minha cabeça, segurei sua mandíbula, uma mão nos dentes de baixo outra nos de cima, minha cabeça já estava dentro da sua boca, se ele a fechasse me decapitara com certeza.

A mandíbula dele era extremamente forte não ia agüentar por muito mais tempo. Mordi sua língua, o sangue de lobisomem tinha um gosto diferente do dos humanos, Ele grunhiu e balançou o corpo com força de um lado para o outro tentando fazer com que eu me soltasse. Começou a me bater com a arma, por sorte, e pelo tamanho exagerado do cano da .50, estava muito perto para que ele apontasse-a para mim.

Ele acabou me arremessando longe de novo, dessa vez com um pedaço da sua língua na minha boca. Ia atirar em mim, mas perdeu tempo pó causa de um soldado que corria na sua direção. Acertou 3 tiros da .50 no quadril soldado, partiu-o em dois. Isso era o que aconteceria comigo se me acertasse.

Pulei no seu braço que segurava a metralhadora, usava os pés para afastar seus dentes. Enfiei as mãos pelo ferrolho da metralhadora e consegui desmonta-la. Ele conseguiu me agarrar pelo pescoço, sentia meu crucifixo sendo pressionado contra minha pele pela enorme garra do monstro. Porém a pata que me segurava começara a inchar, suas veias ficaram saltadas. Ele me arremessou, cai no chão a alguns metros.

O lobo voava na minha direção com a boca escancarada, mas ao meu pé estava nada menos que a pistola que antes carregava. A peguei – que dia de cão, ein Rambo? – foram as palavras que vieram a minha cabeça no momento que puxei o gatilho. A bala entrou pela sua boca enorme e saiu pela nuca. Seus olhos ficaram vermelhos e inchados, sua garganta e boca começaram a perder a cor, ficaram azuladas com uma aparência podre.

O enorme monstro caiu aos meu pés morrendo. O estranho líquido prateado escorria da ferida juntamente com o sangue.

Guardei a pistola, peguei um casaco que estava jogado ao chão para esconder as roupas ensangüentadas e sai pela janela, pulei para o telhado ao lado e corri para o mais longe possível do lugar.

Por sorte o casaco tinha uma carteira, apenas 30 reais, mas era o bastante para pagar a diária de um hotel espelunca que encontrei. O velho e mal encarado balconista nem me perguntou nada, simplesmente pegou o dinheiro e me deu a chave. Minha única exigência, que o quarto tenha cortinas grossas....

sábado, 3 de outubro de 2009

Capítulo VI – Entendido e iniciado.

Adentrei o quarto, fechei bem as cortinas, tinha que me certificar de que o sol não me acertaria. Afastei a cama da janela, só por prevenção. Estava cansado, coloquei a arma na cabeceira, admirei-a por alguns segundos. Era uma M1911, lembro bem dessa arma por causa dos jogos, a velha e boa .45 ACP.........

Me joguei na cama e desmaiei de cansaço. As horas passavam enquanto eu dormia, já havia amanhecido.Devia ser por volta do meio-dia, a pior hora possível para mim, quando um casal de policiais à paisana chegou à recepção do hotel. O homem, de estatura média, forte e cabelos curtos, aparentava ter 30 e poucos anos; a mulher, tinha aproximadamente a altura do homem, um corpo bonito o suficiente para chamar atenção por onde passar, os cabelos castanhos passando um pouco dos ombros.

Eles perguntavam ao balconista sobre um garoto de 19 ou 20 anos, com cabelos pretos longos, que poderia ter aparecido aqui na madrugada passada. Sem hesitar ele indicou o meu quarto. Eu ainda em sono profundo não ouvi os policias se aproximarem do meu quarto. Acordei de repente com a porta sendo arrombada.

- Parado, polícia militar, nem se mexe vagabundo! – eles gritavam.

Eu sem saber o que fazer, não tinha para onde fugir com o sol do meio-dia lá fora a minha espera. Olhei para a minha arma, a mulher voou par cima de mim exibindo seus dentes.

- Nem pense nisso – ela era uma vampira também.

Ela torceu meu braço e pôs na linha de tiro de seu parceiro, ele atirou em mim na hora, mas não era uma bala. Um dardo com algo que me deixou completamente dopado. Me colocaram num saco preto enorme, era um tecido grosso e pesado, fecharam-no bem e me arrastaram pelo hotel até me jogarem dentro do seu carro.

O homem estava dirigindo, a mulher sentou-se no banco de trás, onde haviam me colocado. Ela me tirou de dentro da sacola.

- Tudo bem ai garoto? Foi mal pelo show lá no seu quarto, mas tinha que ser convincente.

- Como assim? O que que está acontecendo dessa vez? – perguntei ainda meio dopado, até que me virei e olhei pelo vidro o sol – Arrgh!! – gritei colocando o braço na frente do rosto para me proteger.

- Que coisa mais desnecessária, - ela debochou de mim. Vi que o sol não estava me fazendo nada, tal como era nos tempos de humano. – Esses vidros escuros, 100% de proteção contra luz ultravioleta.

- Não se preocupe Denis, agora você está em boas mãos. - o homem disse me olhando pelo retrovisor.

- Como vocês sabem meu nome? Vocês não são policiais de verdade, são?

- Somos policiais sim, - respondeu a mulher - mas não é só isso. Sabemos muito sobre você. Você é Denis dos Santos, 20 anos, dado como morto à duas noites atrás. Porém despertou como vampiro e acabou se envolvendo com quem não devia. Primeiro com aquela gangue amadora de vampiros, depois numa batalha entre uma alcatéia Lycan perigosa e um bando de caçadores.

- Uma alcatéia o que? Vocês querem me explicar as coisas direito.

- Lycan, abreviação de lycanthropo – respondeu o homem – do grego lýkos, lobo; e ánthropos, humano. Calma logo tudo fará sentido.

- Você está confuso, não sabe nada sobre esse mundo que acabou de entrar, e pra piorar ainda esteve com quem apenas acha que sabe. – a moça me explicava – Você não vê por ai noticias de vampiros e lobisomens nos jornais, mas já viu que eles estão por ai. Mas a coisa é muito mais organizada do que você pensa. Existe toda uma sub-sociedade de vampiros e lobisomens convivendo com a sociedade humana. Vivemos escondidos, disfarçados em meio aos humanos, pois se eles souberem de nós o caos será generalizado. Afinal, mesmo sem que notem muito nossa presença, já existem grupos de extermínio como o que atacou a alcatéia que o fez refém.

- Tá me dizendo que as pessoas andam por ai com vampiros e lobisomens e não sabem nada disso?

- É, você mesmo deve ter conhecido mais de um durante sua vida humana mas nunca se daria conta, se não tivesse acontecido o que aconteceu. Já estamos chegando a nossa casa, lá te explicamos tudo direito.

- A casa de vocês.

- Provavelmente será a sua também.

O carro entrava na garagem de um prédio quadrado e baixo, porém relativamente grande, parecia um instituto de pesquisa. Quase não tinha janelas. A garagem era no sub-solo, não entrava nenhuma luz exterior. Sol zero. Descemos do carro.

- Essa é a Casa dos Censores, nós. Somos os responsáveis por manter em segredo toda atividade lycan ou hematófaga nessa região.

- Hematófago? Vampiro?

- Sim, os que se alimentam de sangue.

- Mas afinal quem são vocês dois?

- Eu sou Julia, e esse é meu marido Bruno. Nós realmente somos policiais. Há 13 anos eu fui transformada por um hematófago descontrolado que perseguíamos achando ser apenas um psicopata qualquer, os Censores da época intervieram antes que ele nos matasse....

- Mas não antes que ele a transformasse. – terminou Bruno – Desde então temos trabalhado com eles.

- Vamos o resto da casa está te esperando no segundo andar. – Julia disse entrando no elevador.

As portas se abriram, não havia muita gente. Um homem gordinho negro de estatura baixa usando óculos, vestido como um cientista; uma garota de cabelos castanhos, aproximada mente 15 anos; e... o Tiozão!

- Surpreso em me ver D? – ele disse ao ver minha cara de espanto.

- Tiozão, você está vivo? Eu achei que você fosse da gangue do Ray...

- Primeiro, o nome é Lincoln, ok? Eu estava disfarçado, estávamos querendo pegar aqueles caras, eram criminosos.

- Ok, o Lincoln você já conhece, agora o resto da casa. Esse é o Fernandes, ele é m humano, é o responsável pelos estudos científicos sobre lycans e hematófagos no Brasil, e a garota é Érica, filha minha e de Bruno.

- Olá – ela diz sorrindo.

- E ai garoto. – Fernandes também cumprimenta.

- É... oi. – respondi meio sem jeito – Mas então são apenas dois vampiros? Achei que houvessem mais.

- Bom na verdade esperamos que sejam três, contando com você. Mas costumávamos ser em maior numero aqui, mesmo não sendo uma casa tradicional. – responde Julia. – Mas os outros vampiros dessa casa acabaram morrendo.

- Tradicionalmente as casas são de vampiros apenas, tal como as alcatéias são somente de lycans. Mas existem exceções, principalmente para casa que fazem a interação com humanos. Nós somos os que mantêm na surdina matanças com as das noites anteriores e funcionamos como uma espécie de polícia para vampiros e lobisomens. - Tio.. digo, Lincoln esclareceu.

- Eu a Julia passamos a noite inteira junto com alguns outros policias e pessoas da imprensa, todos com ligações a nossa casa, limpando os galpões onde você esteve.

- Ahh foi mal.....

- Não é sua culpa garoto, você tem sorte de estar vivo.

- Em resumo, - Lincon cortou-o – você é o que chamam de órfão da noite. Um vampiro, ou lycan, que está jogado sozinho no mundo, e cá entre nós, eles não tem uma expectativa de vida muito longa. Nós precisamos da sua ajuda e você precisa da nossa.

- Bom, acho que não tenho nem no que pensar....

Julia me guiava por um corredor com várias portas. As paredes eram em cor de cimento, não vi nenhuma janela, as portas eram verdes, com detalhes em alumínio, pareciam de hospitais.

- Esse será o seu quarto. – ela disse apertando um botão, uma porta abriu lateralmente, bem “do futuro” – só tem o básico aqui, mas com o tempo você vai deixando-o do jeito que quiser.

O quarto era grande também tinha as paredes em cimento e nenhuma janela, havia uma cama, um guarda roupas e só, o espaço vazio era enorme; uma porta levava a um banheiro.

- Tome um banho, se troque e depois vá ao laboratório. Temos que começar sua re-inserção social; depois falamos de trabalho. Há placas com mapa de todo o complexo espalhadas por todo o lugar, você não vai se perder.

Re-inserção social, a expressão me consumiu na hora, nem tive tempo para pensar o quanto estava sentindo falta da minha família, dos amigos, da garota que era afim....

- A sua filha, Érica, vocês a tiveram antes de você ser transformada Julia? Por que.. ela não é uma vampira, né?

- É ela não é vampira, nem humana, nós a tivemos depois da minha transformação. No laboratório você vai entender.

Ela fechou a porta me deixando lá sozinho. Segui suas ordens.

Como Julia disse não tive dificuldade para achar o lab, haviam placas de mapas por todo o lugar. Todo lugar que eu pudesse querer ir parecia ser no 2º andar do prédio, os dormitórios, o laboratório, refeitório e uma sala comunitária, onde a casa se reúne.

No laboratório Fernandes estava me esperando.

- Ok Denis vamos começar..

- Só D por favor – interrompi.

- Tá D, primeiro, vamos deixar claro que hematófagos e lycantropos não são criaturas vindas do inferno ou coisa assim; vocês são o próximo passo na evolução humana, ~são uma mutação genética do homo sapiens comum. Você pode nascer assim ou pode ser transformado, pois o sangue das duas espécies contém um gene diferente, que age como um vírus se entrar no sistema imunológico de um humano. Segundo: como você já deve ter presenciado a sede é uma grande inimiga de qualquer hematófago. – concordei com a cabeça – a sede vem de uma das principais deficiências da sua espécie. O sangue de vocês não tem hemácias nem granulócitos eosinófilos, se você se cortar quando estiver com sede verá que seu sangue estará extremamente esbranquiçado. Como você deve saber do colegial – não na verdade eu não sei, mas achei melhor não interrompe-lo – as hemácias levam o oxigênio pelo seu corpo, e os eosinófilos combatem infecções causadas por parasitas. Logo são essências para sua sobrevivência, se não você desmaiará e morrera infectado por algum vírus ou bactéria que não machucaria nem uma criança. Também, se sua presa for anêmica, logo você voltará a sentir sede.

- Então quando eu estiver caçando tenho que tomar cuidado pra não sugar gente com anemia?

Fernandes riu – Você não caçará pra se alimentar, existem outras casas que trabalham com bancos de sangue particulares que fornecem para nós, bem como casas que trabalham com produção de sangue artificial.... Continuando, seu outro problema é o Sol, mais precisamente a luz ultravioleta. Você deve se perguntar como a Julia andava pela rua em pleno dia quando eles o prenderam, - na verdade eu nem tinha parado pra pensar nisso – é graças a isso aqui. – Ele me mostra o que parecia ser uma embalagem de protetor solar – Protetor solar. Digamos que é fator 750, ele bloqueia completamente a radiação ultravioleta do sol. Mas para lanternas ultravioletas desenvolvidas para matar vampiros ele não é tão eficiente, você agüentaria alguns segundos mas vai acabar queimando. Além disso ele sai com água, até mesmo com suor, então esqueça os mergulhos matinais.

Ele jogou o frasco para mim.

- Agora quanto a lycans. Trabalhando aqui você terá muitos problemas com eles, pois as alcatéias lycans geralmente não são tão civilizadas quanto as casas hematófagas. Um lycan é superior a você em força e resistência física – (isso eu senti na pele) – também não tem problemas com a luz do dia. Ao contrário do que diz o folclore popular a lua cheia não tem nada a ver com a transformação deles fisicamente, mas seus instintos de uivar podem fazer com que lycans novatos se transformem na sua primeira lua cheia. Quanto as fraquezas deles, o potencial de regeneração deles não é tão alto quanto o seu. E eles são extremamente alérgicos a prata.

- Por isso o Rambão me soltou quanto me agarrou pelo pescoço. – deixei escapar.

- Rambo? Hahaha, você fala do lycan que estava naquela alcatéia? Gostei do apelido, aquele era Humberto Soares, ex-fuzileiro naval da marinha, expulso por comportamento excessivamente violento, depois de transformado em lycan encontrou sua vocação. Bruno disse que a perícia mostra que você enfrentou-o no mano a mano... Você tem colhões D.

Fiquei meio sem jeito perante ao “elogio”.

- A arma que você usou para mata-lo - ele me mostrou a minha pistola, tirou o pente e me mostrou as balas, as pontas eram prateadas – essas são balas de prata de ultima geração, além da própria bala ser de prata, elas contém nitrato de prata no seu interior, então acertem onde acertar, causam uma infecção terrível no lycan que é fatal se ele não receber cuidados imediatos. Mas não pense que não tem a versão para nós. – ele disse pegando uma bala com a ponta de vidro, aprecia ser uma pequena lâmpada na ponta – Isso é munição ultravioleta, quando acerta faz um pequeno flash UV – ele bateu a ponta da bala contra a mesa, ela piscou, mas não senti nada – o flash é fraco, alcança apenas um raio de 22 cm, mas como é disparado dentro do seu corpo faz um estrago com o dobro do tamanho de uma bola de futebol nos seus órgãos internos.

- Que agradável.... – ironizei – Fernandes... Julia me falou algo estranho sobre a filha dela, que ela a teve depois de transformada e que ela não é humana nem vampira.

- Ela é o que a cultura popular chama de Dhampira, filha de um humano com uma vampira, ou vice versa claro. Dhamphiros tem mesclados genes humanos e hematófagos, e cada um é diferente dos outros. No caso da Érica, ela é uma daywalker, ou seja a luz UV não a machuca e ela tem a agilidade hematófaga, mas ela tem carência de hemácias, mas não tem presas. Então ela sente a sede, mas não poderia caçar normalmente, teria que beber o sangue de alguém através de um ferimento comum o que a história já comprovou que não é eficiente. Já que estamos falando de reprodução, vale comentar vampiros podem ter filhos com vampiros, os puros-sangues, já nascem vampiros; e com humanos. Os lycnas porém devem ter suas crias com humanos ou com lobos, um cruzamento lycan-lycan resulta em crias problemáticas e deficientes e deformadas. Parecidas com um lobo bizarro, pode acontecer de resultar num lobisomem, mas ainda assim ele será diferente dos outros.

- E de lycans e vampiros?

- Nunca se teve noticia, os casais de lycan com hematófago são caçados por extremistas das duas espécies, bem como por caçadores humanos.

Bruno e Julia adentraram a sala.

- Ok Fernandes de um tempo na aula de biologia. – ele já chegou dizendo – Vamos re-integrar o garoto.

- Ok Denis – Julia ia dizendo

- D! Por favor. – interrompi de novo

- Denis. – ela salientou – Vamos mandar você de volta para a casa dos seus amigos, você dirá a eles que esteve resolvendo umas coisas com sua família e que terá de mudar de lá. Para sua família dirá que esteve em uma viagem com os amigos por isso não deu noticias, sua família estará preocupada pois o IML já havia ligado dizendo que você havia morrido, nos fizemos outra ligação afirmando que foi um erro e que era outro Denis dos Santos que havia morrido. Você retomará sua rotina normal durante o dia e irá desaparecendo aos poucos, mas ainda poderá manter contato com quem você quiser pelo tempo que quiser. Durante a noite você vai trabalhar conosco resolvendo os casos que não devem cair para a polícia.

- Parece bom pra mim.

- Então vamos começar com seu primeiro caso – Bruno já disse – a alcatéia que havia capturado você era um peixe pequeno, bem como a extinta gangue do Ray. Nós estamos atrás de uma alcatéia terrorista do leste europeu. Seu líder Velkan Iorgi, romeno, 33 anos, nascido humano, transformado em lycan por volta dos 14 anos, odeia os humanos e tem cometido diversos atos terroristas na Europa. Os conflitos recentes no leste europeu são culpa dele. Agora ele está aqui, casas do mundo inteiro vieram pra cá para caça-lo e nós acreditamos que tínhamos uma pista sobre seu paradeiro, pois era ele que fornecia armas para a alcatéia dos Cães da Noite. Não há nenhuma foto dele por tanto ninguém sabe como ele é.

- Vá descansar rapaz – Julia me recomenda – amanhã pela manhã você volta pra sua vida normal, mas de noite nós vamos caçar esse cara.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Capítulo VII – Caça e caçador

Era estranho estar acordado de manhã. Já havia me acostumado a viver só de noite. O guarda roupa que eles me deram só tinha roupas pretas e diversos óculos escuros; fazia exatamente o estilo de vampiro clichê dos filmes. Ainda estava com medo de por a cara no Sol, não estava tão confiante com aquela coisa de protetor solar “from hell” que eles me deram.

Desci me juntei aos outros na sala de entrada do lugar, o único lugar com janelas no prédio todo, mas essas eram escuras também.

- Ok garoto, vou simplificar pra você. – Bruno já se adiantou – Você está para desaparecer, essa manhã você vai rever as pessoas da sua antiga vida somente para dar-lhes adeus, e pela noite nós vamos caçar.

- Perfeito. Vocês podem me dar uma carona?

- Podemos te dar coisa melhor que isso. – ele acenou com a mão para que eu o seguisse.

Me trouxe até a garagem.

- É só escolher. – ele exibia as fileiras de carros e motos pretas.

Eu estava babando. Aproximei-me de uma enorme moto de corrida preta, Ducati 1098S.

- Você tá falando sério?

Ele jogou a chave para mim.

- Só não vá levar muitas multas já hoje....

Pulei para cima dele, liguei a chave, girei o acelerador. O ronco do motor ecoou por toda a garagem. Bruno deu uma piscada de “não se preocupe” para mim. Eu parti com a moto empinando. E voei pela rampa para fora da garagem subterrânea.

O elevador chegou aquele andar e Julia caminha para fora dele.

- Você não deixou ele pegar nada muito potente, não é amor? – ela perguntou

- Claro que não meu bem...

Eu corria pelas ruas da cidade, chegaria na faculdade em minutos mesmo sem estar furando sinais vermelhos nem nada assim. Como Fernandes havia prometido, o Sol não me queimava, ainda assim era extremamente quente. Estava já há umas 30 quadras do prédio de onde parti, parei em um sinal vermelho. Sob o toldo de uma loja estava parado um senhor pitoresco. Vestido em roupas pretas compridas com um visual social, cabelos longos brancos e olhos verdes que, mesmo velhos, tinham um brilho bem vivo. Ele olhava fixamente para mim; embora que, naquela moto, todos olhavam. Mas ele não olhava a moto estava olhando para mim, bem no fundo dos meus olhos, como se pudesse vê-los sob o capacete fechado e dos óculos escuros. Um pensamento me gelou a espinha, por um instante achei tê-lo visto num bar logo na esquina do prédio de onde havia saído... Não impossível, mesmo que ele fosse um vampiro também, afinal a aparência não lhe faltava, era impossível que ele tivesse se movido tão rápido. O sinal abriu, eu acelerei e não pensei mais nisso. Deveria ser só coisa da minha cabeça, “talvez uma insolação” pensei ironicamente comigo mesmo.

Cheguei ao campus onde estudava... Parei a moto num lugar adequado.

Andava pelos corredores, a maioria das pessoas não me conhecia, ou mesmo que conhecesse não me via todos os dias, nem haviam dado por minha falta nesses 3 dias... Até encontrar Robinson, meu velho amigo que estuda junto comigo desde os 8 anos.

- Olha só quem é vivo sempre aparece! Por onde é que tu andou?

- Ahh eu tive que...- foi quando me toquei que devia ter preparado uma historia já – voltar lá pra nossa cidade.

- É? Pra que?

- Eu.... fiz uma cirurgia!

- Sério?

- É eu operei... a vista!

- Por isso os óculos escuros dentro da sala?

- Isso! – perfeito, matando 2 coelhos com uma pedra só.

- Cara... Eu acho que vou ser transferido daqui. – como mandou Bruno, comecei a inventar uma historia para desaparecer de vez daqui.

- Para onde?

- Anh, não sei ainda. É que talvez eu... consiga um estágio. – “de matador profissional só se for...” pensei comigo mesmo.

- A que foda vamos comemorar hoje a noite. Vamos pro bar.

- Não, nem dá eu vou... – “caçar um lobisomem criminoso internacional” – vou voltar no médico, tenho que ver se está tudo ok.

- Você pode marcar pra outro dia.

- Não, não posso por que... – então, surgindo lugar nenhum, longos fios dourados e dois brilhos azuis me acertam, me agarrando pelo pescoço.

- D! – ela grita – achei que não fosse mais te encontrar a tempo!

- Oi Agatha – eu respondo quase sem jeito, olhando para os belos olhos azuis dela.

- É então... – o tom dela mudou, ficou mias triste – é que eu vou me mudar, já pedi a transferência e tudo. Esse é meu último dia aqui.... Mas ai vamos fazer uma festa! É hoje a noite no Sacred Stings, conhece?

- Annnhh... não.

- É muito foda, é uma antiga catedral, mas agora é um bar com musica ao vivo, num estilo meio dark e gótico; você sabe, bem como eu gosto.

- É sei bem. – era engraçado esse gosto dela, pois não combinava nada com sua aparência. – Mas é que... talvez... acho que não dá pra mim ir... – Robinson estava atrás dela me olhando com aquela expressão de “ah qual é cara” – Ahh, eu vou ver o que posso fazer ok?

Ainda assim Agatha ficou evidentemente triste...

- Bom... independente do que aconteça... - Ela me abraçou. - ...vou sentir saudades.

Eu abracei-a de volta.

- Eu.... também.

Ela me soltou e caminhou de volta de onde veio.

O resto do dia passou sem mais acontecer.

Quando eram por volta das 8 da noite eu voltei a minha “nova casa”, só agora li a placa do lado de fora: “Censors Labs, analises sanguíneas e laboratório em gral”. Que sutil.

Adentrei o estacionamento, havia uma pequena reunião, o pessoal estava se armando, se preparando para caçar. Ao me ver chegar na moto, Julia cochichou ironicamente no ouvido de Bruno:

- Nada muito potente né?

- Hey D! – ele acenou pra mim se fazendo de desentendido para a esposa – Forre o estomago, pois você não vai conseguir se alimentar desses caras que vamos caçar hoje não....

Ele me jogou um saco de sangue, igual ao dos hospitais. A visão do sangue me deu água na boca, abocanhei o pacote.

- Alimenta mas não tem aquele “Q” da coisa de verdade né? – comentou Julia, era verdade.

- Ai D, vai precisar – Fernandes estica a mão com a pistola quer eu trago comigo desde do meu ultimo encontro com lobisomens. – Balas com nitrato de prata, atire para matar, não de chance pra esses caras não.

Notei que todos se armavam, Bruno escondia um AK embaixo do sobretudo marrom que vestia; Julia usava um 38 bem sutil, Érica empunhava duas 9mm automáticas. Eu sabia que Fernandes não fazia trabalho de campo. Mas uma coisa em intrigava...

- Tioz.... – ele me olhou feio – Lincoln! Você não leva nenhuma arma? – ele só estava sentado esperando os outros.

- Ora garoto, eu sou mais chegado aos clássicos. – ele pega da mesa ao seu lado um sabre numa bainha negra – 100% prata, matando lycans desde 1788.

- Hábitos antigos são duros de matar, né?

- Ok chega de papo, já perdemos muito tempo. - Bruno salientou – Todos pro carro.

- Prestem atenção. – a voz de Julia cortou o silencio no meio da viagem – Estamos numa situação delicada, Velkan está em um lugar publico, cheio, e ainda pior, freqüentado tanto por humanos quanto por vampiros. Então fiquem espertos, mas não comecem um fuzuê sem necessidade. Entendeu Érica? – ela encarou a filha.

- Ta vou manter meus bebês no bolso.

- O que seria esse lugar? – perguntei por curiosidade.

- Uma espécie de boate, Sacred Stings.

Um arrepio desceu minha espinha. Isso é uma sacanagem do destino.

Chegamos ao lugar. Como Agatha havia descrito era uma igreja, um letreiro luminoso em forma de crucifixo indicava o nome. Havia um segurança na porta.

- Têm nome na lista? – ele nos para.

- Temos a chave da cidade amigo – Bruno mostra uma espécie de distintivo.

- Censores? Então temos problemas aqui?

- Lycan procurado internacionalmente.

- Vou mandar evacuarem o lugar.

- Não, Velkan é ardiloso, se perceber algo incomum desaparecerá.

- Vocês podem garantir a segurança das pessoas lá dentro.

- Amigo... – Érica se intrometeu – Não nem sei se garantimos a nossa.

Entramos, os seguranças se espalhavam pelo local. O lugar era escuro para os olhos humanos, nos espalhamos, eu procurava por Velkan. Tínhamos uma foto dele, branco, 1,70m aproximadamente, cabelos castanhos compridos cacheados, olhos também castanhos, forte. Numa multidão normal seria fácil de achá-lo, mas aqui, mal dá pra diferenciar um vampiro de um humano, ou de um lycan. Além do mais ele não era a única pessoa que eu procurava, é claro....

Porém o único que encontrei era alguém que não esperava.

- Pra ir pro bar comigo você tem médico, mas pra vir ver a loira dá né? – dizia Robinson que se aproximava por entre a multidão.

- Ahh não é bem...

- Não, não tem problema. – ele me cortou – Afinal.... – ele aponta para o meio da pista.

Lá estava ela, Agatha estava entra as amigas dançando, vestia um corset e uma calça ambos pretos, de alguma espécie de couro fino; os cabelos loiros e os olhos azuis a destacavam no meio da multidão escura. Estava mais linda que nunca, não conseguia olhar para mais nada além dela, porá alguns segundos esqueci de Velkan e de lycans, vampiros e tudo mais. Caminhava na sua direção, ela ainda não havia me visto; eis que vejo um vulto se movendo pela multidão, congelei. Uma sombra caminhava em sua direção, mas olhava fixamente ara mim; aquele rosto velho, os cabelos brancos e olhos verdes e sombrios. Era aquele mesmo velho que eu vi de manhã, sabia que não podia ser coisa boa.

- Agatha! – eu gritei correndo na sua direção.

Ela sem idéia do que acontecia, olhou para mim e sorriu.

- D! – Ela acenava.

O velho estava a alguns metros dela apenas, ainda olhando para mim. Eu pulei, voei metros até ela e a agarrei. Olhando em volta procurava o velho, mas ele havia sumido! Como pode estava ali exatamente agora?

- Wow, quanto entusiasmo. – ela diz sem perder o sorriso, mas olhando minha expressão preocupada ela muda o tom – ta tudo bem?

- Ta, ta sim, desculpa – eu tento disfarçar.

Ela ri – você ta estilizo nessa roupa ein.

- Você ta ótima também, uau.

- Obrigada, vem vamos se juntar com o pessoal.

- Mas espera, - eu a cortei – vocês não vão ficar muito tempo né?

- Ahh, como assim a noite só está começando.

- É que eu acho.....

Cinco estouros rápidos e uma gritaria me interromperam. Já estava começando a matança.

Olhei na direção dos tiros, era Érika que já estava com dois canos fumegantes nas mãos. Um bando de homens já a circundava, eu sabia que não eram simplesmente “homens” e que a coisa ia ficar feia. estava com dois canos fumegantes nas mssoal.

avia sumido!

- Acho que é melhor a gente dar o fora daqui. – ela disse.

- Belíssima idéia, corre.

Corremos junto com a multidão, havia um lycan, ainda em forma de gente, que atacava freneticamente as pessoas que corriam com uma faca. Ele passou por perto de nós, eu chutei o seu rosto, ele caiu no chão.

- Agatha, encontre o seus amigos e dêem o fora daqui!

- Mas e você?

- Agora, vai! – eu grito em quanto o lycan se levantava.

Ela descidiu obedecer e saiu correndo em meio a multidão apavorada. O Lycan já posto em pé soltou a faca.

- Então você quer brincar não é garoto? – ele começava a se transformar.

Eu saquei a pistola e disparei no meio dos seus olhos, ele tombou morto.

- Talvez outro dia, hoje eu to meio sem tempo.

O caos era total, além de nós censores, os seguranças do local e mesmo alguns vampiros “civis” estavam envolvidos no conflito, alguns humanos ainda se escondiam em baixo de mesas, ou onde podiam, esperando uma oportunidade para sair. Haviam lycans por toda parte, alguns estavam como humanos, disparando armas carregadas com aquelas balas UV que Fernandes me contou, vi um segurança sendo atingido por diversas delas, ele queimou em cinzas no ato. Mas me preocupavam mais aqueles que estava em forma de lobisomem, corriam pelo lugar trucidando tudo que viam com suas mandíbulas.

Eu passei pelo lugar atirando em quem podia acertar, um lobo pulou do segundo andar na minha direção. Disparei contra ele, a bala entrou em seu pescoço, ele caiu ao meu lado agonizando.

Cheguei ao lado da Érika.

- Alguém já achou Velkan?

- Não, fica atento, minha mãe falou que ele costuma lutar em forma de gente.

Lincon passou do nosso lado empunhando seu sabre, ele decapitou um lycan que estava por perto.

- Venham comigo, temos que cobrir as saídas, não podemos deixar Velkan fugir.

Corremos com ele em direção a saída mais próxima, Lincoln cortava qualquer um que se aproximasse 10 metros de nós, era extremamente rápido, e sua habilidade com o sabre era incrível. Qualquer lycan lobo que aproximasse-se tentando usar os dentes ou unhas era fatiado, mesmo os que estavam em forma de gente e com armas de fogo, chegassem perto de mais sentiriam a prata transpassando seus corações. Eu e Érika dávamos cobertura para ele contra atiradores que estivessem mais afastados.

Eu avistei Velkan que parecia caminhar despreocupado no meio da luta, ele estava indo para uma saída lateral.

- Lincoln, Érika! Ali! – eu disparei contra ele. Mas Velkan simplesmente inclinou o corpo e as balas passaram em seco.

Ele me olhou com um sorriso irônico.

- Vão atrás dele eu cubro vocês. – Érika disse. Recarregando as pistolas.

Ela apertou o botão nas armas, os carregadores vazios caíram no chão. Usava uma pequena mochila, de metal ou plástico, sei lá. Ela acertou os cotovelos nas laterais dela. O fundo da mochila se soltou e desceu. Um trilho com diversos carregadores paras as pistolas, ela bateu as armas lá e estava pronta para continuar atirando. Tudo não durou 2 segundos.

Eu e Lincoln corremos em direção a Velkan, eu o tive na mira, mas um homem bruto enorme me deu uma ombrada e me arremessou no chão. Eu soltei a pistola.

Lincoln parou e pensou em ajudar.

- Vá atrás do Velkan. – eu disse. Me levantei, estalei os punhos e abri um sorriso maléfico – Eu cuido desse aqui.

O lycan sorriu também.

- Eu não preciso me transformar para acabar com um bostinha como você. – ele se pôs numa posição de luta – Vamos lá garoto.

Lincoln se pôs na frente de Velkan e apontou o sabre para seu peito.

- Indo embora tão cedo?

- Para falar a verdade – Velkan responde sem se exaltar – Só estava esperando alguém para me divertir. – Ele puxa do casaco sua própria espada.

A espada de Velkan parecia comum, uma lamina reta prateada e reluzente, porém com alguns sulcos pequenos correndo pela lamina toda. O cabo era redondo, preto, com relevos cinzas para dar mais firmeza a quem a segura, mas tinha um detalhe estranho, algo parecido com um botão ou gatilho no cabo.

Velkan girou a espada duas vezes e apontou-a para Lincoln. Ele apertou o gatilho, os sulcos se preencheram com um forte brilho azul que reluziu por toda a lamina, que parecia se ascender como uma lâmpada.

- Manda a ver meu velho.

Lincoln investiu contra ele. Velkan desviou o sabre de Lincoln com sua espada e acertou-lhe uma cotovelada na barriga. Lincoln recuou caindo, mas apoiou uma mão no chão e girou o corpo em torno dela se pondo de pé novamente. Velkan avança na sua direção com aponta da espada indo direto a seu peito, Lincoln usou o sabre e girou a lamina de Velkan, eles começaram a cruzar espadas, com uma ferocidade incrível.

Velkan fez um corte na vertical, Lincoln defendeu, mas a lamina de Velkan estava já cortando sua bochecha esquerda, Velkan puxou o gatilho da espada, ela se iluminou e causou uma terrível queimadura no rosto de Lincoln. Este de afastou com muita dor, ele punha mão no rosto e olhava para Velkan, que estava com seu sorriso sádico no rosto. A região de seu rosto em torno do corte estava cinzas.

- Qual o problema velho? Está enferrujado? – Velkan avançou novamente contra Lincoln.

Enquanto isso eu lutava contra o lycan enorme no mano a mano. Apesar de ser grande e pesado, como um lutador de wrestling, era muito rápido cada soco que me acertava me deixava em reação, enquanto eu os que eu acertava nele nem pareciam surtir efeito. Por um momento ele baixou a guarda, acertei um cruzado de esquerda no seu maxilar, ele virou o rosto, acertei um soco com a mão direita bem no seu nariz, fiquei a repetir o combo esquerda, direita, esquerda, direita, tudo no seu rosto mas ele mal se importava, me agarrou pela cabeça e me levantou do chão. Agarrei sua cabeça e comecei a dar-lhe joelhadas no queixo. Ele me soltou e socou meu estomago, eu me curvei, acertou uma cotovelada na minha nuca, eu cai de joelhos e com um chute ele me pôs novamente de pé. Vinha me acertar com um soco, mas me esquivei e fui para trás dele, agarrei seu braço e seu rosto, cravei os dentes na sua jugular. O sangue esguichava longe, quanto mais eu bebia mais fraco ele ficava. O Lycan pulou e deu girando o corpo para que caísse de costas em cima de mim, ao bater n chão me acertou uma cotovelada na barriga, eu soltei os dentes do seu pescoço. Ele me agarrou pela boca e arremessou por cima de seu ombro a metros de distância.

Cai próximo ao combate de Lincoln com Velkan, haviam ainda alguns humanos ali perto esperando uma oportunidade de fugir. Lincoln fez uma ultima investida contra Velkan, tentou cravar o sabre em Velkan.Ele se esquivou, acertou uma espada na mão Lincoln, cortou-a fora. O Sabre de Lincoln voou pelo parapeito caindo no andar inferior da boate. Velkan girou a espada e cravou-a na barriga de Lincoln. Ele cuspiu sangue. Velkan o encarou com um olhar de desprezo, puxou o gatilho, a lamina se iluminou e ele a puxou pela lateral, Lincoln se partiu em dois queimando em cinzas.

- Não! – eu tentei me por de pé.

Os humanos aproveitaram a deixa para correr. Velkan agarrou um pobre coitado pelo pescoço e ergeu-o do chão.

- Humanos.... Criaturas tão... insignificantes.

Só então que reconheci quem ele estava segurando. Era Robinson, meu amigo.

- Deixe-o ir Velkan ele não tem nada haver com isso.

- Ora, por que você simpatiza com essa raça? Mesmo diferente de mim você também é um ser superior a eles.

- Eu disse para soltar ele! – Tentei avançar em Velkan, mas o lycan com quem lutava antes me puxou pelo pé.

- Não se preocupe garoto, - Velkan disse para Robinson – estou te fazendo um favor.

Ele cresceu os dentes e cravou-os no ombro de Robinson, que gritou de dor.

Bruno e Julia se aproximavam, Velkan soltou Robinson e fugiu. Robinson também saiu correndo.

- Cuidem deles! – Velkan ordenou aos seus capangas. – E Igor, de uma atenção toda especial pra esse ai.

- Pode deixar chefe. – o lycan que me segurava respondeu.

Igor me arremessou pela bancada para o andar inferior e saltou atrás de mim.

O andar estava vazio, nada de vampiros ou lobisomens por aqui. Havia uma saída do lugar, mas estava atrás de Igor, além do mais fugir não era exatamente minha idéia.

- Vou arrancar esses seus dentes bostinha. – Igor ameaçava-me

- Isso eu to pagando pra ver. – avancei contra ele.

Mas ele me acertou no ar, eu cai de costas no chão. Ele pisou no meu pescoço, se agachou e abriu minha boca com as mãos. Puxava meu maxilar com tanta força que logo o arrancaria. Eu não conseguia reagir. De repente a lamina de Lincoln atravessa seu peito. Ele esboçou uma dor agonizante, mas morreu antes que pudesse gritar.

Seu corpo caiu para o lado. Atrás dele estava Agatha, estava chocada com o que tinha acabado de fazer. Ela caiu de joelhos. Eu a abracei.

- Eu... eu.... – ela balbuciou em choque. Porém o tom da sua voz mudou. – Você disse para eu ir embora com meus amigos... Então tive que te esperar. – ela caiu numa gargalhada confusa.

Sua cabeça estava completamente confusa, não sabia o que sentir. Bruno desceu e veio falar comigo.

-Está tudo bem garoto? E ela? Está ok?

- Eu to bem.

- Você viu o que eu fiz, você vai me entregar? D, eu vou pra cadeia? – Agatha perguntava sem nem pensar.

- Calma garota, eu sou policial, eu vi tudo o que aconteceu, isso é legitima defesa, você via ficar bem ok. – Bruno tentava acalma-lá.

Tudo havia acabado, o lugar estava cheio de policiais fazendo perícias e investigações com as testemunhas, todos da sociedade vampírica claro.

- Velkan escapou – Bruno comentava comigo.

- Lincoln resistiu?

- Não.....

- E o que será da Agatha agora?

- Ela não viu nada, será fácil convence-la de que isso não passou de coisa de alguns psicopatas.

- Tem um outro problema.... Velkan mordeu um rapaz, um velho amigo meu, mas ele fugiu.....

- Então temos um lycan prestes a se transformar vagando pelas ruas..... ótimo.

- O que vão fazer com ele?

- Simplesmente vamos acha-lo. Seu amigo vai precisar de ajuda, ou via acabar fazendo merda. E se tratando de lycans é sempre merda das grandes.

Agatha veio falar comigo.

- É um jeito estranho de se despedir das pessoas.... Não era bem assim que eu esperava que fosse ser a noite...

- Aga...

- Adeus D, simplesmente adeus... – ela desviou os olhos e correu.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Capitulo VIII – Adeus meus bons amigos.

Estávamos no enterro de Lincon, enterro digo simbolicamente, era mais um memorial.

Uma urna com suas cinzas estava guardada em uma cripta...

Era noite, a lua cheia iluminava esse cemitério o qual eu nunca tinha visto antes. Havia muitos rostos desconhecidos para mim aqui.

Bruno foi o escolhido para dizer as palavras de adeus ao bom Lincon, eu o conheci por tão pouco tempo, mas sentia com se ele fosse um mentor pra mim. Desde a primeira vez que o vi ele tem tomado conta de mim. Era o principal lutador na casa dos censores, Bruno era um homem forte, mas era apenas um humano; Julia e Érika, apesar dos poderes, não tinham a mesma habilidade em combate que Lincon.... com Velkan ainda a solta, teria de ser eu a preencher o vazio que ele deixou.

Sentia o peso do mundo nas costas, ainda via os fatos da noite anterior quando fechava os olhos. Todo aquele banho de sangue...... de novo; Velkan, o seu sorriso sádico não para de me assombrar; Robinson, em algum lugar das ruas da cidade ele deve estar próximo de se transformar em lobo pela primeira vez, espero que aqueles que estão o procurando encontrem-no logo, antes que ele faça alguma besteira; e Agatha, quando me disse adeus seus olhos estavam tão... traumatizados, será que ela vai superar tudo aquilo? Será que ela viu algo que não devia ter visto? Lycans? Vampiros?

Bruno terminou o discurso, na verdade eu não prestei atenção em nenhuma palavra.

Ele pôs a espada de Lincon em frente de sua lápide. Se afastou, haviam dois homens conversando sobre algo num canto mais afastado do enterro. Bruno juntou-se a eles, eu me aproximei.

- Isso já foi longe de mais, estaremos trabalhando com você. – disse para Bruno um homem alto de cabelos negros penteados para trás, aparentava ser europeu.

- Você sabe que nós também queremos fazer algo a respeito, Velkan suja todo o nome da nossa raça, mas é nossa prioridade lidar com os caçadores que tem atuado nessa região. – lamentava o outro homem mais baixo, porém mais robusto.

- Não se preocupe Ryan. – Bruno respondeu-lhe – Deixe que eu e os vampiros lidemos com Velkan, agora você deve se preocupar com esses caçadores que tem ameaçado lycans inocentes por aqui...... – Bruno deu uma pausa, olhou para mim e me chamou – À propósito, tem alguém aqui que quero que vocês conheçam. – ele disse voltando a olhar para os dois.

Eu me aproximei.

- Esse é... – Bruno começou a me apresentar.

- Denis dos Santos – o homem alto interrompeu-o.

- O garoto prodígio da casa dos censores. – o mais baixo continuou.

- Tua reputação o precede jovem. – o alto terminou.

- Obrigado, eu acho.... Mas só D por favor, Denis não é exatamente um bom nome para um vampiro... não acham?

- Fato. – respondeu-me o homem mais baixo.

- Não diga asneiras, jovem. – me contrariou o mais alto.

- De qualquer forma.. e vocês quem são?

- Luc D’Armand – o homem alto apresentou-se, curvando-se com algum nobre ou cavaleiro da antiguidade. – represento a casa de Nocturne.... – ele observou minha expressão confusa e logo percebeu que não sabia o que seria tal casa, então acrescentou – a elite de guerreiros vampiros.

- Ryan Striker – o homem mais baixo disse estendendo a mão, tal como as pessoas comuns fazem – representando a alcatéia de Fenir; a elite dos guerreiros lycans.

- O primeiro lobisomem que conheço que não tenta arrancar minha cabeça – respondi apertando sua mão.

- Acostume –se, mas não acomode-se..... não até acabar com Velkan.

Luc voltou a falar com Bruno.

- Não queremos desmerecer seu trabalho, mas vamos assumir a situação de agora em diante. Vampiros e lycans estão a um fio de cair nos olhos da mídia. Temos lutado por séculos para nos mantermos no anonimato. Os pequenos grupos de caçadores já matam centenas de nós todos os anos, se houver uma guerra real contra os humanos, coma tecnologia militar e a extensão dos exércitos de hoje, ambas as espécies serão dizimadas. Nós assumiremos a operação agora, vocês censores devem nos dar apenas suporte.

- Por mim está ótimo, a situação fugiu de nosso controle realmente.

- Ryan! – eu me voltei para o lycan – você disse que há caçadores nessa região?

- Sim, eles têm chacinado lycans das cidades daqui como exterminadores matam insetos. As alcatéias locais tentaram lidar com eles, mas não conseguiram. Esses caras não estão de brincadeira. Eles mataram e torturaram dezenas de lycans só no ultimo mês.

Eu me virei e ia deixando a sala, Bruno me segura.

- Aonde você vai?

- Não posso deixar meu amigo perdido por essas ruas com esses animais a atrás dele.

- Nossa prioridade é Velkan....

- Danem-se as prioridades! – gritei e no impulso de raiva mostrei –lhe as presas... – Foi mal, -tentei me acalmar – mas eu já perdi muito nos últimos dias....

- Deixe-o ir – disse Luc.

- Está bem, mas tome cuidado. Érika – ele chamou a filha que ainda chorava por Lincon.

Ela se aproximou, tentando disfarçar as lagrimas.

- Sim pai.

- Não a tempo para luta minha querida – ele disse enxugando uma ultima lagrima que escorria pelo rosto dela - Vá com o D, não deixe ele fazer nenhuma besteira.

- Está bem.

No caminho para a saída vi Fernandes parado em frente a lápide de Lincon, ele olhava para a lápide do amigo com a tristeza e a raiva evidente em seus olhos.

- Fernandes – me aproximei – queria que você me arranjasse uma arma em especial... como a espada do Lincon.

- Só dizer.

Todas as mortes e sofrimento que tenho visto ultimamente me fizeram pensar numa certa arma, talvez incomum, mas se Lincon usava uma espada.... Eu disse os detalhes que imaginei para o Fernades. Ele achou incomum, mas disse que providenciaria, olhou uma ultima vez para o tumulo do amigo e se foi. Érika é que se aproximava agora.

-Você vai atrás do seu amigo, né? – Érika me abordou.

- Seu pai te mandou ir junto, não? – perguntei já sabendo qual seria a resposta.

- .......

- Tudo bem....

Me voltei para o tumulo de Lincon com um ultimo adeus.

- Até mais “Tiozão”.

Deixamos o cemitério. Ainda sentia um pesar por tudo o que aconteceu ao Lincon, mas agora tinha que me concentrar em salvar Robinson. Não podia deixar que Velkan me tirasse dois amigos de uma só vez.

Corríamos de moto pela cidade, passando por todo lugar vazio e desolado, onde um lobisomem confuso poderia estar e todo lugar onde um jovem perdido e machucado poderia ir pedir ajuda. Na garupa Érika ligava para os homens do pai dela na polícia que procuravam pro Robinson par eliminar os lugares por onde eles já procuraram, era pouco mais de meia noite quando conseguimos uma pista boa. O velho distrito industrial, era bem vazio, principalmente a noite. Ainda não haviam procurado por considerar muito longe do lugar de onde ele havia sido mordido. Mas nos estávamos lá perto, e era um dos últimos lugares a procurar na cidade.

Chegamos em alguns minutos, as ruas sem alguma alma viva, os prédios selados das antigas industrias falidas, alguns carros abandonados nas calçadas. Era realmente um lugar extremamente desagradável, tinha um ar amedrontador, como de uma cidade de filme de terror.

- Caramba... nem imaginava que existisse um bairro assim na nossa cidade. – tentei quebrar o silencio perturbador.

- Nem eu, eu vi muita coisa por ai, mas esse lugar me dá um certo medo. Parece que a qualquer momento alguma coisa vai sair de algum lugar e pular em cima da gente...

Andávamos aflitos pelas ruas.... Ouvimos uma porta rangendo.

Eu e Érika nos entreolhamos, sem fazer barulho algum sinalizei para que fossemos checar; posicionamos-nos um de cada lado da porta. Já ia chutar a porta quando ouvimos um barulho de correntes vindo de uma janela no prédio atrás de nós.

Parecia que estávamos ficando cercados, mas não víamos nada, nem ninguém.

Subitamente uma voz cortou o silêncio.

- Calma! Esses dois não são ameaça! – dizia um homem alto de cabelos castanho e barba mal feita, já nos seus 40 anos, porém ainda aparentando ter um bom preparo físico. – Vocês sabem que não são os vampiros nossa preocupação agora. E eu reconheço hematófagos quando os cheiro.... um puro e uma mestiça.

- Lycans! – Érika sussurrou, meio assustada sem saber quais seriam as intenções deles.

- O que os trazem aqui? – varias pessoas, lycans óbvio, começaram a aparecer timidamente nas janelas e portas - Nessas ruínas que a cidade esqueceu?

- Estamos procurando por um amigo meu. Não queremos problemas. – respondi.

- Eles não são dos nossos! Não devemos confiar neles! – gritava um homem mais jovem, de aparência perturbada, que já avançava ameaçadoramente na nossa direção.

O primeiro segurou-o – Às vezes pode até se parecer com um, mas você não é um cachorro Jens, controle sua raiva.

O rapaz abaixou a cabeça e parou. O mais velho voltou-se para nós:

- E quem seria o amigo, vampiro?

- Um antigo amigo meu que foi mordido por um lycan criminoso a pouco tempo.

- O bastardo de Velkan, nós o encontramos. Seu amigo está bem.... na medida do possível.

- Robinson?! Sério? Posso vê-lo?

- Seu amigo está passando por um momento difícil, alguma vez já viu um Lycan em sua primeira transformação?

- Não....

- Prepare-se.... não será nada agradável.... à propósito, eu sou Timo, você é D?

- Como você....

- Era um dos nomes balbuciados pelo seu amigo...

- Como assim?

Timo abriu uma porta, ouvia grunhidos de agonia vindo de dentro da sala. Havia uma coisa acorrentada no chão, não era mais um homem mas ainda não era um lobisomem, como se sua transformação tivesse sido interrompida no meio. Era Robinson... era ele que grunhia.

- Robs! – me ajoelhei ao seu lado.

- D! – ele me agarrou pela camisa com sua voz já distorcida devido ao principio da transformação – Arrggh, me ajuda... a dor.

De repente ele tentou me morder. Timo segurou seu pescoço.

- Calma garoto... força. - ele tentava acalmar Robinson.

- A primeira transformação de um lycan é lenta. Eu li sobre isso. – Érika, me explicava com a mão em meu ombro, tentado me consolar talvez....

- Lenta...? – Timo olhou para ela – O tempo não é o problema, garota... imagine... a dor dos seus ossos crescendo dentro do seu corpo descontroladamente, amassando seus músculos, seus órgãos, esticando sua pele como se fosse rasga-lá. – um grunhido de Robison interrompeu seu discurso – os pelos crescendo a princípio coçam muito.... mas após algumas horas, fazem parecer que todo seu corpo está em chamas. – outro grunhido, Robinson tentava agarrar e morder qualquer coisa a seu alcance. – Sorte dos que nascem lycans, pois ser transformado em um é a experiência mais dolorosa que se pode ter. Acredite, eu sei.....

Olhava para meu amigo agonizando, sem poder fazer nada por ele.

- Quanto tempo até a transformação dele estar completa? – perguntei

- Deve levar mais umas 6 horas.... – Timo respondeu com desgosto. – Vocês podem esperar conosco se quiserem, mas não devem dizer a ninguém de onde estamos.

- Estão se escondendo dos caçadores né? Não sei se você sabe, mas um tal de Ryan....

- Então a alcatéia de Fenir finalmente mostrou as caras! – ele me interrompeu – Quantos jovens tiveram que perder a vida para eles voltarem os olhos para cá.....

- Então você já ouviu falar deles?

- Todo lycan já ouviu, eles são os Marines da nação lycan...

- Foi o que ele me disse.

- Eu costumava ser um, quando ainda morava na Finlândia, parei quando meu filho Jens nasceu.

- Então vocês são pai e filho? Ele anda meio estressado, não?

- A mãe dele, minha esposa; e mais 37 da nossa alcatéia foram mortos a menos de 2 dias.... Estamos todos estressados.

- Desculpe... – me arrependi de ter aberto a boca. – Mas os tais Fenirs devem dar um jeito neles, certo?

- Se eles não nos acharem primeiro....

Passaram-se cerca de 3 horas, estávamos sentados no chão, os Lycans contavam historias sobre sua alcatéia; como vieram do norte da Europa para cá, missões de timo na época que servia com os Fenir. Eu começava a vê-los mais com humanos, e menos com os animas que vêm me caçando desde que transformei.

A transformação de Robs ainda estava pela metade, eles arranjaram uma enorme viga de metal pare ele morder. Timo disse que a sensação de morder alguma coisa é a única forma de amenizar a dor.

Subitamente um lycan cheira algo no ar. Notei o medo nos seus olhos ele começa um grito:

- Tim... – o som de um rifle silenciou sua voz. Sangue e prata voaram de sua cabeça direto no meu rosto.

- Eles nos acharam! – Timo gritou – escondam-se! Vampiro você vem comigo, são balas de prata não vão lhe fazer mal algum.

Granadas de gás voaram pelas janelas do prédio condenado.

- É aquele gás com prata, não vamos poder transformar! - Jens exclamou.

- Filho leve os outros pra longe daqui – homens começaram a entrar por todos os lados atirando em tudo que se movia – eu vou atrasá-los.

- Mas....

- Sem mas! Vá!

-Érika ajude eles – eu pedi – vou ficar com Timo.

Enquanto Érika, Jens e os sobreviventes da alcatéia fugiam, eu e Timo estávamos matando.

Timo soltou os pinos de várias granadas no colete de um soldado e arremessou o homem sobre seus colegas, eles explodiram espalhando seus pedaços por toda a sala, mas por trás da fumaça um homem apontava já seu rifle para Timmo.

- Você vai pagar por isso cão.

Eu voei no pescoço daquele infeliz antes que pudesse puxar o gatilho, mas seus dois parceiros viraram e dispararam uma rajada no peito. A prata não é letal, mas as balas fazem um estrago ainda assim.

- Um vampiro? – um deles exclamou.

- Vamos dar um bronzeado ao garoto.

Tive tempo apenas de olhar para a arma do soldado. Um rifle com uma lanterna UV abaixo do cano. Ainda não conseguia me por de pé por causa dos ferimentos.

Timo pulou a minha frente, bloqueou a luz quando foi acessa. Ele avançou sobre os caçadores e esmagou a lanterna.

- Não te disseram que essas coisas dão câncer? – ele ironizou na cara do homem.

- Acabem com o lobo!

Os soldados abriram fogo contra Timo ele caiu moribundo ao meu lado.

Os ferimentos das balas já estavam se fechando, conseguia me mover novamente....

Um deles aponta para o facão que seu colega carregava nas costas:

- Corte a cabeça do vampiro antes que ele...

- ... se levante – eu dizia me pondo de pé – e corte a de vocês?

- Merda! - ele gritou erguendo o rifle em minha direção.

Desviei o cano da arma para baixo, empurrei a arma contra o soldado, puxei o facão das suas costas e acertei-o no pescoço. Sua cabeça rolou pelo chão; finquei o facão no peito de outro inimigo, puxei sal faca e a finquei também ao lado da que já estava em seu corpo. Vários caçadores vieram pra cima de mim todos empunhando suas laminas.

Timo usava suas ultimas forçar para se arrastar em direção a Robinson enquanto eu fazia os caçadores provarem do aço de suas próprias facas. Um deles tirou um talho do meu rosto, mas deixou sal jugular desprotegida ao me golpear, finquei meus dentes em seu pescoço; o sangue acelerou a minha regeneração, o corte já estava fechado quando ouvi o barulho de metralhadora e senti varias pontadas nas costas, as balas de prata atravessarão meu peito. Eu cai, de novo, um caçador pisou na minha cabeça, apontou o rifle para o colega que eu havia mordido e o executou. Virou o rifle em minha direção.

- Quero ver o quanto a sua raça nojenta pode se regenar.

Ele começou a descarregar a arma em mim, meu corpo começou a se desfazer sob tantas balas, mais soldados se juntaram ao meu fuzilamento. Estava começando a perder a consciência quando escuto a voz de Timo balbuciar alguma coisa.

- O lobo em mim já está morto, o lobo em você está apenas nascendo.

Ele soltou as correntes que prendiam Robinson.

- Vá salvar seu amigo, lycan.

Robs se levantava do chão, não mais como um humano, mas como um enorme lobo de pelos marrons compridos, garras afiadas e um desejo por carne estampado em seus olhos. Ele soltou um uivo que ecoou por todo o prédio. Os caçadores desviaram sal atenção de mim, mas antes que pudessem se virar o lycan enfurecido voou sobre eles.

Robinson fincava seus dentes na carne e nos ossos dos caçadores por puro instinto, suas garras rasgavam os corpos como papel. Um simples movimento dele para atacar um soldado derrubava os que estavam em volta. Um destes caiu ao meu lado, ele sacou sua pistola para contra atacar, mas antes que seus olhos encontrassem o alvo meus dentes encontraram as veias de seu braço. Me punha de pé ainda me alimentando, tomei arma de sua mão e atirei nele.

Eu estava 100% de novo, me movia em direção a Robs atirando nos caçadores que estavam pelo caminho. Subitamente meu amigo lobo voa num dos caçadores, fincando as unhas em seus ombros e arremessando o corpo do homem contra a parede. Ele inclina a cabeça e morde a cabeça do soldado, sua mandíbula esmaga o crânio da presa, mas eu escuto o som de disparos.

Robinson solta o corpo do homem, eu vejo um revolver com o cano fumegante na sua mão. O lobisomem recuou alguns passou e caiu de joelhos. Eu corri na sua direção. Haviam quatro buracos de bala sangrando em seu torso.

- Robs, não me deixe não mão agora! – eu gritei agarrando antes que ele tombasse no chão.

A prata começava a fazer efeito, ele ia voltando a forma humana. Eu o coloquei no meu ombro e saltei para trás de um coluna. Timo estava morto, não havia mais ninguém além de nós e os caçadores ali agora, e eles continuavam a nos perseguir. Saltei para uma janela e então para fora do prédio, através das ruas escuras e vazias daquele velho bairro industrial eu fiz nossa rota de fuga.

Os caçadores haviam ficado pra trás, estávamos seguros agora.

- D..... cara..... porque..? porque você nunca me disse.. que era um vampiro? –robinson começou a tentar falar – Não... devia.... esconder esse tipo de.... de coisa legal dos amigos.

- É que na verdade as coisas não são assim a tanto tempo.... – eu respondi feliz por ver q ele ainda tinha reação.

- Me.... põe no chão.... cara...

- Eu tenho que encontrar alguém pra te ajudar.

- Você... você é toda a ajuda que eu vou ter velho.... só me deixa... me deixa sentar um pouco.

Eu o pus no chão, com as costas encostadas na parede.

- Isso dói cara.... dói mesmo.

- Agüenta firme Robs, eu vou te tirar dessa.

- Eu sinto todo meu corpo queimando...

Sua pele estava toda vermelha, vasos sanguíneos começavam a estourar, deixando cheio de manchas.

- A gente... ia ser uma dupla.... bem do caralho..... se essa coisa de lobisomem..... tivesse ido pra frente....

- Do que você tá falando, nós vamos ser a dupla mais do caralho cara!

- Dói D!.... dói de mais!... eu só queria.... que isso tudo acabasse.

Ele começou a se engasgar com o próprio sangue..... Eu me sentei ao seu lado.

- A gente... sempre... mandou.... muito bem.... desde que éramos uns pirralhos... – ele engasgou novamente... seu corpo começava a tremer de dor.

Eu olhava pra arma que ainda estava na minha mão.

- Ainda... ainda tem balas... se aparecerem mais... – outro engasgo, Robinson gemeu de dor - daquele caras...?

- Tenho... – puxei o pente para ver a munição – uma.

Robs abriu um certo sorriso.

- Você... lembra... daquele dia...

Apontei a pistola para sua cabeça, fechei os olhos, e puxei o gatilho.

- Lembro sim.... – não pude segurar uma lagrima que escorreu do meu olho – lembro de todos aqueles dias, velho...